Agiotagem Cuiabá é alvo de investigação após a Polícia Civil cumprir, na manhã desta terça-feira (17), quatro ordens judiciais contra duas mulheres, de 51 e 53 anos, suspeitas de empréstimos ilegais com juros abusivos na capital. Conforme divulgado pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), foram executados dois mandados de busca e apreensão e impostas medidas cautelares que proíbem as investigadas de se aproximarem ou manterem contato com a vítima.
Investigação aponta ameaças e juros abusivos
Segundo a Polícia Civil, a apuração teve início após a vítima registrar ocorrência relatando ameaças, intimidações e cobranças coercitivas. Conforme apurado, as suspeitas realizavam empréstimos com juros mensais de cerca de 10%, percentual considerado excessivo e característico da prática de agiotagem em Cuiabá.
As investigações também identificaram a formalização de múltiplos contratos com a mesma vítima, inclusive com a finalidade exclusiva de pagamento de juros. Conversas obtidas por meio de aplicativo de mensagens reforçam a dinâmica de cobrança reiterada.
Coação e exposição pública
De acordo com o delegado Rogério Ferreira, titular da Decon, as práticas se intensificaram quando a vítima passou a enfrentar dificuldades financeiras. Entre os atos registrados estão:
- Envio de mensagens com conteúdo intimidatório;
- Menção à aquisição de arma de fogo;
- Envio de três homens à residência da vítima para cobrança;
- Exposição pública com banner em frente à casa indicando suposta dívida.
Segundo a polícia, o objetivo das ações era constranger e pressionar a vítima ao pagamento, configurando também possível violação à dignidade e à integridade psicológica.
Medidas judiciais e atuação do Ministério Público
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 – Juiz das Garantias Polo Cuiabá, após representação da autoridade policial e manifestação favorável do Ministério Público. As medidas cautelares são semelhantes às previstas na Lei Maria da Penha, visando interromper o ciclo de violência.
O descumprimento das determinações pode resultar na decretação de prisão das investigadas, conforme prevê o Código de Processo Penal.
O que diz a lei sobre agiotagem
A prática de agiotagem Cuiabá, assim como em todo o país, é tipificada como crime contra a economia popular, conforme o Decreto-Lei nº 1.521/1951. A legislação proíbe a cobrança de juros abusivos fora do sistema financeiro autorizado pelo Banco Central.
De acordo com a Polícia Civil, a comprovação do crime depende diretamente do relato formal das vítimas, o que ainda é um desafio nas investigações.
Orientação às vítimas
O delegado Rogério Ferreira destacou que denúncias anônimas, sem informações detalhadas, dificultam a responsabilização dos envolvidos. “Somente com a formalização da denúncia é possível adotar medidas investigativas eficazes”, afirmou.
A recomendação é que vítimas de agiotagem em Cuiabá, especialmente sob ameaça ou constrangimento, procurem uma unidade policial para registro formal da ocorrência.
Reportagem baseada em informações da Polícia Civil de Mato Grosso.
Se você tiver informações sobre casos semelhantes, procure as autoridades locais e contribua com as investigações.
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