O Palácio do Planalto subiu o tom na diplomacia internacional nesta sexta-feira (13). O presidente Lula (PT) confirmou pessoalmente a revogação do visto de Darren Beattie, ex-redator de discursos e assessor de Donald Trump. O motivo, segundo o presidente, é uma resposta direta ao bloqueio do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelos Estados Unidos.
“Proibi-o de vir ao Brasil enquanto não liberarem o visto do meu ministro”, declarou Lula durante evento no Rio de Janeiro. A decisão cria um novo capítulo na complexa relação entre o atual governo brasileiro e os aliados de Trump, especialmente no contexto das visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
Visita a Bolsonaro e reviravolta no STF
Beattie alegou formalmente que viria ao Brasil para um fórum sobre terras, mas o Itamaraty identificou que o real objetivo era um encontro com Jair Bolsonaro (PL). Embora o ministro Alexandre de Moraes, do STF, tivesse autorizado inicialmente a visita à prisão, ele reconsiderou a decisão na última quinta-feira (12) após os novos desdobramentos diplomáticos.
De acordo com o governo brasileiro, a viagem de Beattie não possuía caráter diplomático oficial com os representantes do Estado, o que reforçou a base para a negativa do ingresso no país.
Quem é Darren Beattie?
O assessor de Trump possui um histórico marcado por controvérsias graves:
- Demissão na Casa Branca: Em 2018, foi desligado após revelações de sua participação em conferências com supremacistas brancos.
- Declarações Racistas: Beattie é autor de publicações onde afirma que “homens brancos devem estar no comando” e critica o que chama de “mimar minorias”.
- Perfil Ideológico: Conhecido por discursos ultra-conservadores e alinhamento total com a base mais radical do movimento MAGA (Make America Great Again).
Impacto nas Relações Bilaterais
A medida é vista por analistas como uma demonstração de força da soberania brasileira, mas também como um risco de desgaste com o futuro ou provável governo republicano nos EUA. O caso do ministro Alexandre Padilha, pivô da retaliação de Lula, segue sob sigilo diplomático quanto aos motivos do bloqueio em território americano.
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