Brasil busca parceria internacional para ampliar exploração de minerais críticos

O governo brasileiro negocia com países europeus parcerias para explorar minerais estratégicos usados em tecnologias avançadas e energia limpa, com foco em transferência de tecnologia e agregação de valor no país.

O Brasil busca ampliar a cooperação com países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para setores como energia limpa, tecnologia e defesa. A estratégia inclui não apenas a extração dos recursos, mas também a transferência de tecnologia e a participação da indústria nacional na cadeia produtiva.

A proposta foi destacada pelo embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante encontro com jornalistas em Hannover, no norte do país europeu. A cidade sediará, no fim de abril, a Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo.

Segundo o diplomata, a cooperação com a Europa deve ir além do modelo tradicional baseado apenas na exportação de matérias primas. A expectativa é desenvolver no Brasil etapas de processamento e produção industrial, garantindo maior valor agregado aos recursos naturais do país.

O embaixador destacou que o país possui grandes reservas de minerais estratégicos, mas ainda não ocupa posição de liderança global na extração e no refino desses elementos. Para ele, a parceria com países europeus, especialmente a Alemanha, pode ajudar a superar esse desafio.

Entre os minerais considerados críticos estão lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês, nióbio e as chamadas terras raras, um grupo formado por 17 elementos químicos utilizados em equipamentos de alta tecnologia. Esses materiais são fundamentais, por exemplo, na fabricação de turbinas eólicas, motores elétricos, baterias e sistemas aeroespaciais.

Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país possui algumas das maiores reservas do planeta. O Brasil concentra cerca de 94% das reservas mundiais de nióbio, aproximadamente 26% das reservas de grafita e cerca de 12% das de níquel. No caso das terras raras, o país detém cerca de 23% das reservas globais.

Apesar do potencial, estudos apontam que a produção nacional de vários desses minerais cresce em ritmo inferior ao observado em outras regiões do mundo. Esse cenário reforça a necessidade de investimentos em tecnologia e infraestrutura para ampliar a capacidade de exploração e processamento.

A Hannover Messe deste ano terá o Brasil como país parceiro. Cerca de 140 expositores brasileiros devem apresentar tecnologias e soluções industriais durante o evento, que reúne representantes de centenas de países. A organização também prevê debates sobre o potencial brasileiro na área de minerais estratégicos.

O evento ocorre em um momento de avanço nas relações comerciais entre América do Sul e Europa, com a implementação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. O tratado prevê redução gradual de tarifas entre os dois blocos, ampliando o acesso a mercados que somam mais de 720 milhões de consumidores.

Pelo acordo, o Mercosul deverá eliminar tarifas sobre cerca de 91% dos produtos europeus exportados para a região ao longo de até 15 anos. Em contrapartida, a União Europeia se compromete a retirar tarifas sobre aproximadamente 95% dos produtos provenientes do bloco sul-americano em até 12 anos.

Na avaliação de autoridades brasileiras, o fortalecimento das relações com a Europa e a busca por parcerias tecnológicas podem ampliar investimentos, estimular a indústria nacional e posicionar o Brasil como um ator relevante na cadeia global de minerais críticos.

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