Contador investigado em duas operações é apontado como arquiteto de fraudes fiscais em Mato Grosso

Alvo das operações CNPJ na Cela e Hortifraude, profissional é suspeito de estruturar empresas fantasmas e causar prejuízos milionários ao erário Núcleo das investigações

O contador alvo da Operação CNPJ na Cela é apontado pelas investigações como o principal arquiteto de um esquema estruturado de empresas fantasmas voltadas à prática de fraudes fiscais em Mato Grosso. Conforme apurado pelas autoridades, ele também integra o núcleo criminoso investigado na Operação Hortifraude, deflagrada anteriormente com foco na sonegação de tributos no setor de hortifrutigranjeiros.

As duas operações foram conduzidas pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT) e tiveram como alvo direto o profissional, que teve o exercício da atividade contábil suspenso judicialmente, diante da gravidade dos fatos e da suspeita de reincidência no uso da profissão para dar suporte a práticas criminosas.

Prejuízo milionário

Deflagrada em setembro de 2025, a Operação Hortifraude teve como objetivo desarticular um complexo esquema de sonegação fiscal no comércio de hortifrutigranjeiros. Segundo as investigações, o prejuízo causado aos cofres públicos ultrapassa R$ 45 milhões, resultado de um sistema estruturado para ocultar operações comerciais e reduzir artificialmente a carga tributária.

Já no inquérito que resultou na Operação CNPJ na Cela, os prejuízos iniciais identificados somam mais de R$ 190 mil, mas a expectativa é que os valores aumentem significativamente conforme o avanço das apurações, podendo atingir cifras milionárias.

Engenharia da sonegação

As investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários (Defaz), apontam que o contador utilizava seu registro profissional no Conselho Regional de Contabilidade (CRC) para estruturar a abertura em série de empresas de fachada.

Segundo os investigadores, o profissional não atuava apenas na parte burocrática, mas na validação de operações fraudulentas, industrializando a criação de empresas de papel e conferindo aparência de legalidade a negócios inexistentes, com emissão de notas fiscais sem lastro.

De acordo com o delegado responsável pelas investigações, João Paulo Firpo Fontes, o padrão de atuação já havia sido identificado anteriormente. Segundo ele, a conduta replica o modo de ação verificado na Operação Hortifraude, indicando especialização na chamada engenharia da sonegação fiscal.

O delegado também ressaltou que a operação deixa claro que não será tolerado o uso de habilitações profissionais para facilitar crimes tributários, especialmente quando há ligação com organizações criminosas.

Núcleo técnico desarticulado

O delegado titular da Defaz, Walter de Melo Fonseca Júnior, destacou que as investigações permitiram desarticular o chamado núcleo técnico do grupo criminoso, considerado fundamental para a sustentação das fraudes.

Segundo ele, sem a expertise contábil para manipular sistemas de controle e mascarar operações financeiras, o esquema dificilmente teria alcançado a dimensão identificada pelas autoridades.

Próximas etapas

Com a suspensão cautelar do registro profissional e o desmantelamento do núcleo técnico, a força-tarefa avalia que houve contenção imediata da emissão de notas frias e da continuidade das fraudes.

O inquérito policial segue na fase final, com foco na apuração do prejuízo total e no rastreamento de patrimônio oculto, com o objetivo de garantir a recuperação dos valores desviados e o ressarcimento aos cofres públicos.

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