Ouro voltou a ganhar espaço nas reservas internacionais do Brasil em 2025. Após quatro anos sem novas compras, o Banco Central adquiriu cerca de 43 toneladas do metal entre setembro e novembro, elevando o estoque de aproximadamente 129,6 para 172,4 toneladas.
O aumento representa uma alta de cerca de 33% em apenas três meses. Dados do World Gold Council indicam que o volume permaneceu praticamente estável até março de 2026, mantendo o país em um novo patamar de reservas em ouro.
Brasil retoma compras de ouro
A última expansão relevante do estoque havia ocorrido em 2021. Em setembro de 2025, o Banco Central voltou ao mercado e comprou cerca de 15 toneladas, em um período marcado pela valorização do metal e pelo aumento da procura de ouro por bancos centrais.
As aquisições continuaram nos meses seguintes. Em novembro, foram acrescentadas aproximadamente 11 toneladas, completando uma sequência de três meses de compras e levando o estoque brasileiro para perto das atuais 172 toneladas.
O movimento também teve impacto no valor financeiro das reservas. Dados compilados pelo Poder360 apontam que o valor das reservas brasileiras em ouro passou de US$ 11,7 bilhões em janeiro para US$ 23,3 bilhões em novembro de 2025, avanço próximo de 100%.
Por que o país mantém ouro nas reservas?
As reservas internacionais funcionam como uma proteção financeira para o país. Elas ajudam a enfrentar crises externas, mudanças no fluxo de capitais e períodos de forte pressão sobre o câmbio.
O Banco Central administra esses recursos com foco, nesta ordem, em segurança, liquidez e rentabilidade. Além do ouro, a carteira brasileira reúne títulos e depósitos em moedas como dólar, euro, libra, iene e renminbi.
No relatório de gestão divulgado em março de 2026, o Banco Central informou que ampliou a diversificação das reservas durante 2025 diante do aumento das incertezas econômicas e geopolíticas. O processo incluiu maior participação em ouro, euro e renminbi, além da inclusão do won sul-coreano.
Ouro ainda tem participação menor
Mesmo com o crescimento registrado em 2025, o ouro nas reservas brasileiras ainda representa uma parcela limitada da carteira internacional. No fim daquele ano, o metal correspondia a 7,19% das reservas, segundo dados oficiais do Banco Central.
O dólar continuava predominante, com 72% da composição. Depois apareciam ouro, euro, renminbi, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano, além de uma pequena participação em won sul-coreano.
Estoque segue em 172,4 toneladas
O levantamento mais recente do World Gold Council, atualizado em agosto de 2026 com informações oficiais disponíveis até março, mantém o Brasil com aproximadamente 172,4 toneladas de ouro.
A base reúne dados do Fundo Monetário Internacional, de bancos centrais e de outras instituições oficiais. Os números indicam que o aumento registrado entre setembro e novembro de 2025 não foi desfeito nos meses seguintes.
Assim, o estoque brasileiro entrou em 2026 cerca de um terço acima do nível mantido antes da retomada das compras. Depois de permanecer próximo de 130 toneladas por quatro anos, a reserva de ouro passou a ocupar um espaço maior na estratégia de diversificação das reservas internacionais.
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