O comércio varejista de Mato Grosso voltou a mostrar força no fim de 2025 e se consolidou como um dos principais motores da economia estadual. Em novembro, as vendas avançaram 4,1% em relação a outubro, desempenho muito acima da média nacional, que ficou em 1,0%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado foi impulsionado, principalmente, pelas campanhas promocionais de fim de ano, como a Black Friday e a Black November, que ampliaram o fluxo de consumidores e estimularam o consumo em diferentes segmentos. Para o setor, o mês confirmou uma tendência que vinha se desenhando ao longo do ano.
Na avaliação do presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso (FCDL/MT), David Pintor, o desempenho reflete uma mudança estrutural no comportamento do comércio. Segundo ele, ações promocionais deixaram de ser pontuais e passaram a integrar o planejamento das empresas. “O comércio respondeu de forma consistente às campanhas, fortalecendo a confiança, o volume de vendas e a capacidade de gerar empregos”, afirmou.
O bom momento não se restringe a novembro. Entre março e novembro de 2025, todos os meses apresentaram vendas superiores às registradas no mesmo período de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o varejo cresceu 3,0%, enquanto o chamado varejo ampliado — que inclui setores como veículos e material de construção — avançou 4,8%.
Esse cenário positivo teve reflexos diretos no mercado de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o comércio foi o único setor da economia mato-grossense a registrar saldo positivo de empregos formais em novembro, com a abertura de 1.001 vagas. Foram 13.565 contratações contra 12.564 desligamentos, movimento típico do período de contratações temporárias.
Nos demais setores, o saldo foi negativo, o que levou o resultado geral do estado a um fechamento líquido de 5.802 postos de trabalho no mês. Ainda assim, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, Mato Grosso criou 50.732 empregos formais, número que reforça a resiliência do mercado de trabalho ao longo do ano.
Para David Pintor, os dados confirmam o papel estratégico do varejo. “Mesmo quando outros segmentos desaceleram, o comércio segue como um importante gerador de empregos, especialmente em períodos de maior dinamismo do consumo”, avaliou.
Além do comércio, o setor de serviços também apresentou desempenho relevante. O volume de serviços cresceu 3,4% no acumulado do ano, superando a média nacional, embora tenha registrado uma leve retração de 0,1% na comparação entre novembro e outubro. Já a indústria enfrentou um cenário mais desafiador, com queda de 6,6% na produção entre janeiro e novembro, em relação ao mesmo período de 2024.
No campo, os números foram positivos. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) avançou 20% em 2025, resultado bem acima da média nacional de 11,9%, reforçando o peso do agronegócio na economia estadual.
O desempenho externo também contribuiu para o saldo positivo. As exportações de Mato Grosso somaram US$ 30,1 bilhões em 2025, crescimento de 9,0% frente ao ano anterior. As importações totalizaram US$ 2,6 bilhões, queda de 4,6%, o que resultou em um superávit comercial de US$ 27,5 bilhões. A China permaneceu como principal destino das vendas externas, concentrando 40,8% do total, seguida por Egito e Espanha.
Apesar do cenário favorável, um ponto de atenção surge no crédito. O Banco Central aponta que o saldo de crédito às pessoas físicas cresceu 8,2% em novembro de 2025 na comparação anual, mas a inadimplência subiu para 6,1%, ante 3,6% em março. O avanço preocupa o setor varejista e acende um alerta para 2026, indicando a necessidade de cautela no consumo e no planejamento financeiro das famílias.
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