Nova lei da cidadania italiana entra em vigor e endurece regras para brasileiros

Nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, a comunidade de descendentes de italianos no Brasil amanheceu sob o impacto de mudanças profundas. Entrou em vigor ontem (19) a nova legislação que altera drasticamente o processo de reconhecimento da cidadania italiana. As medidas buscam centralizar a administração em Roma e estabelecem critérios muito mais rígidos, o que deve limitar o acesso de milhares de brasileiros ao passaporte europeu.

A reforma faz parte de um plano que visa a centralização completa do sistema até 2029. Na prática, a autonomia dos consulados italianos no Brasil será drasticamente reduzida, transferindo o poder de decisão para um escritório central na capital italiana.

As principais mudanças e o fim do “automático”

A nova lei traz obstáculos burocráticos e temporais que prometem testar a paciência dos solicitantes. O tempo de espera oficial para a análise dos processos sofreu um reajuste considerável:

  • Prazo estendido: O tempo de análise saltou de 24 para 36 meses.
  • Fim da jurisdição consular para adultos: Consulados atenderão apenas pedidos de menores de idade. Adultos deverão enviar documentos originais diretamente para Roma via correio.
  • Cotas limitadas: Os consulados só poderão aceitar um volume de pedidos equivalente ao que foi processado no ano anterior.

Restrição do “Jus Sanguinis” e a questão da dupla nacionalidade

O ponto mais controverso da nova lei diz respeito à elegibilidade dos descendentes. O governo italiano impôs um critério que pode inviabilizar o sonho de muitos brasileiros que possuem ascendência italiana:

Critério O que muda com a nova lei
Ancestralidade Exige que o ancestral direto tenha tido exclusivamente a cidadania italiana.
Dupla Nacionalidade Ancestrais que possuíam dupla nacionalidade podem impedir o direito dos descendentes.
Grau de Parentesco Reconhecimento passa a ser focado prioritariamente em filhos e netos.

Especialistas alertam para o risco do envio de documentos originais para Roma. Além do custo elevado, o risco de extravio de certidões seculares — muitas vezes únicas — gera apreensão nas famílias. A medida é vista como uma tentativa do governo italiano de controlar o fluxo migratório e restringir o número de novos cidadãos por meio do direito de sangue (jus sanguinis).

“O caminho para a cidadania italiana tornou-se uma maratona burocrática que exige precisão documental e muita paciência.”

No CenárioMT, continuamos acompanhando as atualizações jurídicas que impactam os brasileiros no exterior. Confira mais notícias internacionais em nossa editoria de Geral.

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