Menstruação ganha força no debate digital e impulsiona engajamento

Um levantamento da Nexus mostra que discussões sociais e políticas sobre o ciclo menstrual têm maior interação do que conteúdos cotidianos nas redes.

Fonte: CenárioMT

Menstruação ganha força no debate digital e impulsiona engajamento
Menstruação ganha força no debate digital e impulsiona engajamento - Foto: Jerônimo Gonzalez/MS

Um estudo da Nexus analisou mais de 173 mil publicações sobre menstruação entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, que somaram 12,4 milhões de interações. Apesar de a maioria dos posts abordar o tema em tom de humor ou tratar aspectos comuns do ciclo, os conteúdos com foco social e político geraram engajamento significativamente superior.

A diretora de Inteligência de Dados da Nexus, Ana Klarissa Leite e Aguiar, destaca que temas como pobreza menstrual, impacto na educação e no trabalho, licença menstrual e crises humanitárias representam apenas 10,8% das publicações categorizadas, mas alcançam interação média 1,8 vez maior que os demais tópicos.

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Segundo a pesquisadora, políticas públicas recentes também impulsionam o debate, como o programa federal que distribui absorventes a mulheres em situação de vulnerabilidade e o projeto de lei que propõe licença menstrual para trabalhadoras com sintomas graves.

O levantamento mostra que, embora cólicas e dor menstrual liderem em volume de posts, temas como “menstruação em crises humanitárias” e “licença menstrual” registram as maiores taxas de interação por postagem, indicando que discussões estruturais despertam maior interesse.

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Para Ana Klarissa, o engajamento reforça que o debate vai além da carência de absorventes. Questões ligadas à dignidade, educação, saúde e condições de trabalho aparecem como centrais na percepção do público.

O avanço da pauta nas redes também impulsiona iniciativas sociais, como a ONG Fluxo Sem Tabu, criada por Luana Escamilla aos 16 anos, em 2020. A organização atua com educação menstrual, acolhimento e melhorias estruturais em banheiros, além de ações em comunidades e campanhas com atletas. Hoje reúne 30 voluntárias e já impactou mais de 28 mil mulheres em todo o país.

Entre os projetos, destaca-se o “banheiro fluxo”, que promove reparos e informações para tornar os espaços mais seguros. A ONG também leva ginecologistas às comunidades e desenvolve ações voltadas ao esporte, amparando atletas em situação de vulnerabilidade. A meta é alcançar 50 milhões de pessoas até 2030 com conteúdos e atividades sobre saúde menstrual.

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Graduado em Jornalismo pelo Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo): Base sólida em teoria e prática jornalística, com foco em ética, rigor e apuração aprofundada. Envie suas sugestões para o email: [email protected]