Caso de sarampo em bebê reforça alerta sobre vacinação

O registro de sarampo em uma criança de 6 meses em São Paulo destaca a importância da cobertura vacinal para proteger quem ainda não pode se imunizar.

Um caso de sarampo em uma bebê de seis meses em São Paulo reacendeu a preocupação com a cobertura vacinal. A criança ainda não tinha idade para receber a primeira dose da tríplice viral, prevista pelo Sistema Único de Saúde aos 12 meses, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Aos 15 meses, as crianças devem receber a dose da tetra viral, que reforça a imunidade contra essas três doenças e acrescenta proteção contra a catapora. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, altas taxas de vacinação criam uma barreira que protege os bebês mais novos.

“A vacina do sarampo impede tanto a infecção quanto a transmissão, funcionando como uma barreira efetiva”, explicou Kfouri. A bebê diagnosticada havia viajado com a família para a Bolívia em janeiro, país que enfrenta um surto de sarampo desde o ano passado. Casos importados reforçam a necessidade de manter a cobertura vacinal alta no Brasil.

O sarampo apresenta alta transmissibilidade, especialmente entre não vacinados. Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema dentro da idade recomendada.

Proteção para toda a vida

Crianças vacinadas no tempo correto mantêm proteção ao longo da vida. Adultos e crianças sem registro de imunização devem receber a vacina: entre 5 e 29 anos, são indicadas duas doses com intervalo de um mês; entre 30 e 59 anos, apenas uma dose. A vacina é contraindicada para gestantes e imunocomprometidos.

O caso em São Paulo é o primeiro de 2026 no país, mas, em 2025, houve 38 infecções confirmadas, principalmente importadas. O Brasil mantém o certificado de área livre de sarampo concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024, apesar de já ter perdido esse status em 2019 após surtos importados.

Alerta nas Américas

O continente americano registrou 14.891 casos de sarampo em 2025, com 29 mortes. Em 2026, até 5 de março, foram confirmadas 7.145 infecções, concentradas no México, Estados Unidos e Guatemala. A maioria dos casos ocorre entre crianças não vacinadas menores de um ano.

Os sintomas incluem manchas vermelhas pelo corpo, febre alta, tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar. A doença pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite, e afeta temporariamente o sistema imunológico, aumentando o risco de outras infecções, alertou Kfouri.

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