Quase 40% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos relatam já ter sofrido bullying no ambiente escolar, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024, também aponta que 27,2% dos adolescentes passaram por situações de humilhação duas ou mais vezes.
Na comparação com a edição anterior, de 2019, houve leve aumento no número total de vítimas. No entanto, o crescimento mais expressivo está na repetição dos episódios, indicando maior persistência e intensidade das agressões entre os alunos.
Principais dados
- 39,8% dos estudantes afirmam ter sofrido bullying;
- 43,3% das meninas relataram ter sido vítimas, contra 37,3% dos meninos;
- 30,2% dos casos estão relacionados à aparência do rosto ou cabelo;
- 13,7% dos alunos admitiram já ter praticado bullying;
- 16,6% sofreram agressões físicas por colegas.
Motivações mais frequentes
A aparência física aparece como o principal fator associado às agressões, seguida pela aparência corporal e por questões de cor ou raça. Uma parcela significativa dos estudantes, porém, afirma não saber o motivo das agressões, o que reforça o caráter coletivo e muitas vezes arbitrário desse tipo de violência.
As meninas são as mais afetadas, tanto em número total de vítimas quanto na frequência de episódios repetidos de humilhação. Entre elas, 30,1% relataram ter sido alvo de provocações recorrentes, percentual superior ao registrado entre os meninos.
Perfil dos agressores
Entre os estudantes que admitiram ter praticado bullying, a maioria é do sexo masculino. Os motivos citados pelos agressores também incluem aparência, raça e, em menor proporção, gênero, orientação sexual e deficiência.
Especialistas avaliam que a diferença entre os relatos de vítimas e autores pode indicar subnotificação, já que muitos estudantes evitam associar as agressões a características pessoais por medo de estigmatização.
Agressões físicas e virtuais
Além das agressões verbais, o levantamento mostra que 16,6% dos estudantes já sofreram violência física dentro do ambiente escolar, número superior ao registrado em 2019. Também aumentou a proporção de alunos que sofreram esse tipo de ataque mais de uma vez.
Já o bullying virtual apresentou leve queda, passando de 13,2% para 12,7%. Mesmo assim, as meninas continuam sendo as principais vítimas nesse ambiente.
Prevenção ainda é limitada
O estudo também analisou medidas adotadas pelas escolas e identificou que pouco mais da metade dos alunos está em instituições participantes do Programa de Saúde nas Escolas (PSE). Entre essas unidades, menos da metade desenvolveu ações específicas de combate ao bullying.
Os dados indicam que, apesar de maior conscientização sobre o tema, a prevenção ainda não alcança todos os estudantes, o que reforça a necessidade de políticas mais abrangentes e contínuas nas escolas brasileiras.
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