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Organizações sociais exigem mais participação na governança da OTCA

Grupos da sociedade civil amazônica apresentam carta com demandas para ampliar voz na tomada de decisões estratégicas do tratado multilateral.

Representantes de povos e organizações da sociedade civil amazônica divulgaram nesta quarta-feira (20) uma carta que será entregue aos líderes do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) durante o Encontro Regional em Bogotá, Colômbia, na próxima sexta-feira (22). O documento solicita maior participação social nas decisões sobre assuntos estratégicos da região.

“Expressamos nossa profunda preocupação diante da gravidade da crise socioecológica e convocamos os governos a cumprir os compromissos da Declaração de Belém, avançando com mecanismos efetivos de participação da sociedade civil nas instâncias do OTCA”, afirmou o comunicado da rede GT Infra.

O evento integra a programação da V Cúpula dos Presidentes dos Países Amazônicos, reunindo Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. O Encontro Regional busca conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, com a participação ativa de todos os envolvidos.

Dentre as demandas, destaca-se a criação de uma OTCA Social, garantindo a presença de povos tradicionais, indígenas, quilombolas e organizações sociais nas decisões da governança do tratado.

“Não é possível avançar no OTCA sem um diálogo efetivo entre governos e sociedade civil. O desenvolvimento da Amazônia depende da participação popular daqueles que vivem e protegem a região”, ressaltou Cleidiane Vieira, coordenadora do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

As propostas incluem assegurar direitos territoriais, fomentar atividades econômicas de base comunitária e enfrentar desmatamento e conflitos socioambientais.

“Caso a Cúpula não consiga avançar nessas questões, corre o risco de falhar em seu compromisso de preservar a Amazônia e liderar o combate à crise climática global”, concluiu o comunicado.

Estão confirmadas as presenças dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Gustavo Petro, da vice-presidente do Equador Verónica Abad e de chanceleres dos demais países. O encontro ocorrerá na Praça de Armas do Palácio de Nariño, seguindo o modelo dos Diálogos Amazônicos, que permitem participação social na definição de políticas sobre mudanças climáticas, mecanismos financeiros e conservação da floresta.

Os líderes também revisarão o andamento da Declaração de Belém, assinada na última Cúpula Amazônica, e integrarão as demandas sociais à Declaração de Bogotá, consolidando compromissos e ações rumo à COP30, prevista para novembro em Belém.

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