Milhares de mulheres ocuparam a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo, durante manifestações do Dia Internacional da Mulher. O ato reuniu participantes de diferentes idades e movimentos sociais em defesa do fim da violência de gênero e do feminicídio.
Durante a marcha, manifestantes também pediram mais investimentos públicos em políticas voltadas à igualdade entre homens e mulheres. Em um carro de som que acompanhava o protesto, representantes de coletivos feministas leram um manifesto com diversas reivindicações.
Entre as propostas apresentadas estavam a criminalização de grupos que disseminam ódio contra mulheres, a ampliação das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e o fortalecimento de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra pauta citada pelas manifestantes foi o fim da escala de trabalho 6×1.
Combate à violência
A principal mensagem do protesto foi a necessidade de enfrentar a violência de gênero. Participantes lembraram casos recentes, como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, além de um estupro coletivo ocorrido na região de Copacabana.
Ao longo da caminhada, manifestantes cantaram uma adaptação de uma conhecida música brasileira, reforçando o direito de mulheres viverem sem medo nas ruas e dentro de casa.
Na frente da marcha, artistas em pernas de pau carregavam uma faixa com a frase “Juntas somos gigantes”. Em um momento simbólico do ato, elas se deitaram no chão de olhos fechados para homenagear vítimas de violência de gênero. Em seguida, se levantaram e formaram um círculo, gritando em coro: “Todas vivas!”
Presença de diferentes gerações
A mobilização reuniu mulheres de várias gerações. Rachel Brabbins participou da manifestação ao lado da filha Amara, de sete anos, que segurava um cartaz com a frase “Lute como uma menina”. Para a mãe, a participação é uma forma de ensinar desde cedo sobre direitos e igualdade.
Entre as participantes também estava Silvia de Mendonça, militante feminista desde a década de 1980. Ela vestia uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018. Segundo Silvia, o crime contra Marielle simboliza a tentativa de silenciar vozes femininas, mas também reforçou a união entre mulheres.
Organizadoras do ato também incentivaram a presença masculina na mobilização. Thiago da Fonseca Martins participou do protesto acompanhado do filho Miguel, de nove anos. Para ele, homens precisam assumir um papel ativo na construção de uma sociedade mais igualitária.
Outra participante, Rita de Cássia Silva, destacou que a educação é fundamental para romper ciclos de violência. Segundo ela, práticas machistas foram naturalizadas por gerações e precisam ser combatidas desde a infância, com apoio das famílias e do poder público.
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