Ataques a saúde no Oriente Médio somam quase 400 unidades atingidas

Bombardeios no Líbano e no Irã ampliam impacto do conflito e levantam preocupações sobre violações do direito humanitário internacional.

O número de ataques a unidades de saúde no Oriente Médio aumentou de forma significativa na atual fase do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos, Líbano e Irã. Dados oficiais indicam que quase 400 instalações médicas foram atingidas nos dois países mais afetados.

No Líbano, o Ministério da Saúde informou que 70 unidades de saúde foram bombardeadas desde o início de março. O número representa uma escalada rápida, já que duas semanas antes havia registro de 18 centros atingidos. Os ataques deixaram 42 profissionais mortos e 119 feridos, além de provocar o fechamento de hospitais e unidades básicas de atendimento.

Em um dos episódios mais recentes, dois paramédicos morreram após um ataque contra um comboio na cidade de Nabatieh. A situação tem pressionado o sistema de saúde libanês, que também atende milhares de feridos do conflito.

No Irã, autoridades locais relataram que mais de 300 equipamentos e estruturas de saúde foram danificados por ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos. O balanço inclui hospitais, ambulâncias e centros médicos. Pelo menos 23 profissionais de saúde morreram, segundo o governo iraniano.

Organizações humanitárias confirmam números semelhantes, indicando que ambulâncias e bases de resgate também foram atingidas. Os Estados Unidos negam ataques diretos a instalações civis, mas admitem a possibilidade de efeitos colaterais durante operações militares.

De acordo com o direito humanitário internacional, ataques a hospitais e profissionais de saúde são considerados violações graves. Até o momento, não há registros de ataques a centros médicos em Israel ou em outros países da região atingidos por ações iranianas.

A justificativa apresentada por autoridades israelenses é de que grupos armados estariam utilizando estruturas médicas para fins militares. No entanto, entidades como a Anistia Internacional afirmam que não há provas públicas que sustentem essas alegações e reforçam que isso não justifica transformar hospitais em alvos.

Especialistas em geopolítica avaliam que o padrão dos ataques pode indicar uma estratégia deliberada. Segundo análises, atingir o sistema de saúde pode gerar pressão sobre a população civil e comprometer a capacidade de resposta em situações de emergência.

Além dos ataques diretos, há relatos de bombardeios em áreas próximas a hospitais, causando danos estruturais e dificultando o atendimento. Esse cenário tem levado à evacuação de pacientes e à interrupção de serviços essenciais.

O impacto sobre a saúde pública na região se soma a episódios semelhantes registrados em outros conflitos recentes, como na Faixa de Gaza, onde centenas de unidades médicas também foram atingidas nos últimos anos.

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