Várzea Grande e Cuiabá enfrentam perdas de água acima de 50%

O relatório final da expedição será utilizado para subsidiar órgãos competentes e pressionar pela execução do Plano da Bacia do Rio Cuiabá.

Os resultados da 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá, liderada pelo deputado Wilson Santos (PSD), revelaram um cenário crítico de abandono estrutural na Baixada Cuiabana. Após percorrer 900 km — do Rio Manso ao Pantanal — a comitiva de 25 profissionais constatou que a falta de saneamento básico e o acesso precário à água potável são as principais carências das comunidades ribeirinhas. Diante da gravidade, o parlamentar anunciou que cobrará do futuro governador, Otaviano Pivetta, a inclusão de verbas específicas para o setor no Orçamento de 2027.

O levantamento aponta uma ironia cruel: famílias que vivem às margens do rio precisam comprar água em galões por falta de tratamento adequado. Em Barão de Melgaço, por exemplo, a estrutura de captação data de 1984 e opera em condições precárias. Além da crise no abastecimento, a expedição identificou um acúmulo alarmante de lixo e esgoto, especialmente no trecho entre Cuiabá e Várzea Grande, evidenciando a ausência de investimentos históricos, que atualmente não chegariam a 0,01% do orçamento estadual, segundo o deputado.

A análise técnica reforça o abismo entre os municípios da região. Enquanto a capital Cuiabá lidera investimentos por habitante, ainda enfrenta perdas de 53% na distribuição. O cenário é muito mais drástico em Várzea Grande, que ocupa a 97ª posição no ranking nacional do Instituto Trata Brasil, tratando apenas 16,6% do esgoto produzido. Para o engenheiro Rafael Petrollo, da UFMT, o descumprimento do Marco Legal do Saneamento é uma característica macro que compromete a saúde da bacia e a sobrevivência do Pantanal.

O relatório final da expedição será utilizado para subsidiar órgãos competentes e pressionar pela execução do Plano da Bacia do Rio Cuiabá. A meta é transformar o diagnóstico em ações práticas, garantindo que o planejamento orçamentário priorize a universalização do saneamento. Sem essa intervenção, alerta Wilson Santos, as populações mais vulneráveis continuarão reféns de um problema secular que ameaça tanto a dignidade humana quanto a preservação ambiental do estado.

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