O avanço da industrialização do milho e da cana-de-açúcar está redefinindo o mapa econômico do interior de Mato Grosso.
O que antes era apenas produção primária nas fazendas transformou-se em um parque fabril de 19 usinas em operação, capazes de rodar 7,3 bilhões de litros de etanol por safra e injetar R$ 586,6 milhões por ano diretamente no bolso dos trabalhadores do estado.
Os dados, apurados pelo Observatório do Sistema FIEMT e pelo Bioind-MT, revelam que a bioenergia deixou de ser um segmento secundário para responder por 9% de toda a massa salarial industrial de MT.
O raio-X do impacto municipal: dependência e giro no comércio
A presença das plantas industriais alterou drasticamente a dinâmica de pequenos e médios municípios. A dependência positiva do setor fica evidente na fatia de empregos que ele sustenta:
-
Alto Taquari: 90% dos empregos industriais formais do município dependem diretamente da fábrica de etanol e açúcar;
-
Nova Olímpia: A bioenergia absorve 85% da mão de obra fabril local, somando 3 mil famílias sustentadas pelo setor;
-
Tapurah: A chegada recente de uma usina de etanol de milho (em operação desde o fim de 2025) gerou efeito dominó na economia urbana, com alta de 30% nas vendas do comércio, aluguéis e supermercados.
No total, embora as usinas empreguem diretamente 10,7 mil pessoas, a cadeia estendida — que envolve fornecedores de máquinas, insumos, transporte e serviços — movimenta mais de 151 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no estado.
Corrida de investimentos: R$ 33,8 bilhões em ritmo de expansão
Desde 2017, quando o estado pioneiramente passou a processar etanol a partir do milho, foram aportados R$ 27 bilhões em instalações. O ciclo de expansão segue em andamento com mais R$ 6,8 bilhões em execução, divididos entre três novas plantas em construção e duas grandes obras de ampliação.
| Indicador de Mercado | Desempenho Registrado |
| Crescimento do emprego no setor (2019-2025) | + 87% (contra +34% das demais indústrias) |
| Aportes já consolidados (desde 2017) | R$ 27 bilhões |
| Aportes em andamento (obras e ampliações) | R$ 6,8 bilhões |
| Participação na massa salarial industrial de MT | 9,0% |
O contraponto
Apesar das estatísticas expressivas de contratação e investimento, a liderança do setor faz um alerta: a conta financeira das usinas opera no limite.
A combinação de juros elevados, custos logísticos de insumos e oscilação nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional tem pressionado as margens de lucro, operando em patamares estreitos.
A manutenção desse ritmo de investimento nos próximos anos dependerá da estabilização dos custos de produção e de garantias de previsibilidade para os biocombustíveis no mercado nacional.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.