Terras Indígenas concentram quase metade dos focos de calor em Mato Grosso; bombeiros combatem 15 incêndios

Terras Indígenas concentraram 27 dos 57 focos de calor registrados em Mato Grosso nas últimas 24 horas, segundo dados divulgados pelo Inpe.

As Terras Indígenas em Mato Grosso concentraram 27 dos 57 focos de calor detectados no estado nas últimas 24 horas, de acordo com os dados atualizados pelo Programa BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados neste domingo (16). O volume representa mais de 47% de todas as ocorrências registradas em solo mato-grossense no período.

De acordo com o monitoramento espacial, a Terra Indígena Areões, situada em Nova Nazaré, liderou os registros com 13 focos de calor. Outras ocorrências expressivas foram mapeadas na TI Marãiwatsédé, em Alto Boa Vista (nove focos); na Pimentel Barbosa, em Ribeirão Cascalheira (três); e na TI Merure, localizada em General Carneiro (dois). O Inpe ressalta, contudo, que a identificação de um foco de calor por satélite aponta uma área com temperatura elevada, o que não significa necessariamente a confirmação imediata de um incêndio florestal ativo.

Combate a incêndios florestais e frentes ativas

Fora dos territórios indígenas, onde a atuação de combate depende de jurisdição e órgãos federais, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) informou que mantinha 15 incêndios florestais em operação de combate neste domingo. As frentes ativas mobilizam equipes em Santo Antônio de Leverger, Paranatinga, Alto Araguaia, Cáceres, Cláudia, Colniza, Nossa Senhora do Livramento, Nova Maringá, Pontes e Lacerda, Novo Santo Antônio e Guiratinga.

Por outro lado, nas últimas 24 horas, três frentes de fogo foram totalmente extintas nos municípios de Nova Olímpia, Campinápolis e Pedra Preta. Outras três ocorrências foram consideradas controladas pelo efetivo: duas em Paranatinga — sendo uma nas margens da rodovia MT-130 e outra nas proximidades da Terra Indígena Marechal Rondon — e uma em Nova Santa Helena, onde o fogo teve início em uma área de assentamento federal, motivando um pedido de apoio à União para assegurar a continuidade dos trabalhos.

A região de Santo Antônio de Leverger conta com duas frentes próximas à divisa com Jaciara, exigindo reforço da Força Nacional e suporte de maquinário pesado cedido por produtores rurais locais. Paranatinga concentra outras quatro ocorrências de combate — duas no distrito de Santiago do Norte e duas em propriedades particulares próximas à rodovia MT-020. Há também frentes ativas mobilizadas às margens da MT-110, em Guiratinga, e nas proximidades da BR-364, em Alto Araguaia.

Balanço por biomas e restrições legais

Conforme o levantamento do Inpe, dos 57 focos de calor registrados no estado, 32 incidiram sobre o bioma Cerrado e 25 na Amazônia. O governo estadual reforça que, nas Terras Indígenas, o combate direto a incêndios é competência exclusiva de órgãos federais, não possuindo o Estado autorização legal para atuar diretamente nessas áreas.

O estado de Mato Grosso segue sob vigência do período de proibição total do uso do fogo para fins de limpeza e manejo de áreas rurais nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A restrição começou a valer em 1º de julho e se estende até 30 de novembro. Nas zonas urbanas, a queima de lixo e materiais é proibida durante todo o ano.

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