Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, lidera alertas de garimpo ilegal na Amazônia e atrai investigações federais

Terra Indígena Sararé registrou 2.295 alertas de garimpo entre 2025 e agosto de 2026, segundo dados do Ibama obtidos pelo Estadão.

A Terra Indígena (TI) Sararé, situada no estado de Mato Grosso, consolidou-se como um dos principais alvos de garimpo ilegal de ouro na Amazônia. De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal Estadão, a região, habitada por aproximadamente 200 indígenas da etnia Nambikwara — tem acumulado o maior volume de alertas de mineração clandestina entre os territórios tradicionais do país.

Informações repassadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicam que, no período compreendido entre 2025 e 20 de agosto de 2026, foram contabilizados 2.295 alertas de atividade garimpeira na localidade, afetando uma extensão de 976,5 hectares. Órgãos de fiscalização apontam que o crescimento da invasão está associado à migração de garimpeiros oriundos de outras reservas e à facilidade de acesso viário à área.

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Envolvimento de Facções e Operações Federais

As apurações jornalísticas também revelam conexões entre parte das frentes de extração ilegal e organizações criminosas, como o Comando Vermelho. Segundo as autoridades, mesmo após intervenções federais destinadas à desocupação da área, novos focos de exploração tendem a ressurgir com o enfraquecimento temporário da vigilância ostensiva.

  • Balanço de Ações: Entre os meses de março e julho, foram contabilizadas 1.313 operações de combate ao garimpo na TI Sararé, resultando em 72 prisões e em um prejuízo financeiro estimado em R$ 110,5 milhões para os envolvidos nas atividades ilícitas.
  • Operação Solo Sagrado: Na semana passada, a Polícia Federal (PF), a Receita Federal do Brasil (RFB) e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a operação conjunta com o objetivo de desarticular um esquema suspeito de extrair ouro de forma clandestina na reserva indígena e legalizar a comercialização do minério.

Durante a ofensiva federal, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e uma ordem de prisão preventiva. Os desdobramentos das investigações continuam sob a tutela dos órgãos federais competentes.

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