A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira (12) a Operação Módulo Oculto com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em furtos de módulos eletrônicos e componentes de alto valor de caminhões em Sinop e região, no norte de Mato Grosso. Segundo as investigações, o grupo estruturou uma rede que ia desde o monitoramento dos veículos até a receptação e revenda ilegal das peças.
A ofensiva mobilizou o cumprimento de 88 ordens judiciais expedidas pela Justiça, englobando 13 mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão. Além das prisões, a decisão judicial determinou o bloqueio de contas bancárias de até R$ 11 milhões, o sequestro de 13 veículos e a indisponibilidade de quatro imóveis ligados aos investigados.
Modus operandi e o esquema de “resgate”
De acordo com os levantamentos da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Sinop, os criminosos realizavam um levantamento prévio de caminhões estacionados em vias públicas, garagens e pátios de empresas. Após a subtração rápida dos módulos eletrônicos — peças essenciais para o funcionamento dos motores —, os componentes eram repassados a receptadores.
As apurações apontam que estabelecimentos comerciais e oficinas mecânicas eram utilizados como fachada para receber, armazenar e comercializar os itens furtados, escoando parte das peças para compradores em outros municípios e estados.
Um dos pontos de destaque revelados pela investigação foi a prática de um esquema de extorsão conhecido como “resgate”. Donos de oficinas atuavam como intermediários, cobrando somas em dinheiro das próprias vítimas para devolver os módulos eletrônicos que haviam sido subtraídos de seus veículos.
Sanções comerciais e continuidade
Diante da gravidade e da sofisticação do esquema, a Justiça decretou a suspensão imediata das atividades de quatro empresas suspeitas de envolvimento e proibiu quatro investigados de exercerem atividades empresariais.
Os alvos presos e os materiais apreendidos — que passarão por perícia técnica — foram encaminhados à sede da Derf-Sinop para a formalização dos procedimentos legais de polícia judiciária. Os suspeitos permanecerão à disposição do Poder Judiciário para a realização de audiências de custódia e demais desdobramentos do processo criminal.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.