Um estudo recente, liderado pela Dra. Valéria Gardiano, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso (CRF-MT), revela um panorama preocupante sobre a malária no estado. A pesquisa, que analisou dados de 2011 a 2021, aponta para a persistência da doença em áreas específicas e destaca as desigualdades sociais que contribuem para sua disseminação.
As regiões norte, oeste e noroeste de Mato Grosso se destacam como as mais afetadas, com cidades como Colniza, Aripuanã, Pontes e Lacerda, Apiacás e Nova Bandeirantes apresentando os maiores índices de infecção. A pesquisa também revela que as populações indígenas estão em maior risco, com o dobro da probabilidade de contrair a doença em comparação com os não indígenas.
O estudo aponta que a malária está diretamente ligada às condições socioeconômicas, com as áreas mais afetadas apresentando baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e infraestrutura precária. A falta de saneamento básico, pavimentação e sistemas de drenagem adequados criam um ambiente propício para a proliferação do mosquito transmissor.
Além disso, a pesquisa destaca a influência das atividades humanas na incidência da malária. Práticas como ecoturismo, pesca esportiva, criação de gado ao ar livre e desmatamento aumentam o contato entre humanos e os mosquitos vetores.
Diante desse cenário, o estudo enfatiza a necessidade de investimentos em infraestrutura, campanhas de conscientização e estratégias de prevenção, como a distribuição de mosquiteiros e o monitoramento constante das áreas de risco. A erradicação da malária exige um esforço conjunto de governos, profissionais de saúde e comunidades locais.