Protagonismo feminino e gestão técnica elevam patamar da educação pública em Mato Grosso

Mulheres já ocupam 73,8% das direções escolares e 57% das secretarias municipais; busca por resultados e parcerias com o terceiro setor impulsionam o estado no ranking nacional do Ideb.

A educação em Mato Grosso vive um momento de transição profunda, marcado pela feminização do comando e pela profissionalização da gestão. Mais do que maioria nas salas de aula, as mulheres agora consolidam sua liderança em cargos estratégicos: elas respondem por 73,8% das direções de escolas da Educação Básica e ocupam o comando de 81 das 142 secretarias municipais de Educação do estado (57%), segundo dados de 2026 da Undime-MT.

Esse avanço não é por acaso. Para Simoni Borges, presidente da Undime-MT, a ascensão feminina está atrelada a uma entrega de alta competência técnica e capacidade de articulação em áreas sensíveis, que vão desde a aprendizagem até a logística de transporte e segurança alimentar. “As mulheres têm promovido o empoderamento da gestão”, afirma.

Educação no bolso: O peso do ICMS nos resultados

A demanda por perfis técnicos nas secretarias ganhou um incentivo financeiro determinante. Com a legislação estadual de 2022, o desempenho educacional passou a compor o cálculo do repasse do ICMS aos municípios. Atualmente, 10% do imposto é distribuído com base em indicadores de ensino — percentual que deve chegar a 12%.

Essa “gestão por evidências” obriga os prefeitos a buscarem gestores que dominem o planejamento estratégico. “Isso despertou o olhar para a necessidade de ter pessoas técnicas e conhecedoras dentro das secretarias”, pontua Simoni Borges. O objetivo é claro: melhor desempenho em sala de aula gera mais recursos para a cidade.

Terceiro setor e a expertise empresarial no ensino público

Outro pilar dessa transformação é a parceria com o terceiro setor, liderada pelo Grupo Empreendedor Mato Grosso em Evolução (GEMTE). Através de acordos que utilizam diagnósticos de consultorias como Fundação Dom Cabral e Falconi, o grupo auxilia municípios a implementarem modelos de gestão orientados a metas e eficiência.

Cidades como Rondonópolis, Tangará da Serra e Campo Verde já utilizam essa metodologia. “A gestão é o princípio da performance. Quando você alinha todos os profissionais em torno das mesmas metas, os índices melhoram”, defende Lorena Lacerda, diretora do GEMTE.

Os frutos dessa profissionalização já são visíveis no cenário nacional. Mato Grosso, que ocupava a 22ª posição no ranking do Ideb do Ensino Médio em 2019, saltou para o 8º lugar em 2023. A meta, estabelecida pelo programa EducAção 10 Anos (com horizonte até 2032), é manter o estado entre os mais avançados do Brasil.

Cidades atendidas atualmente pelo modelo estratégico do GEMTE:

  • Barra do Bugres
  • Campo Verde
  • Chapada dos Guimarães
  • Canarana
  • Diamantino
  • Rondonópolis
  • Sapezal
  • Tangará da Serra

Compromisso Social

A integração entre a sensibilidade da liderança feminina, o rigor técnico exigido pela nova lei do ICMS e o suporte estratégico do setor empresarial desenha um novo futuro para os estudantes mato-grossenses. Como destaca a diretoria do GEMTE, o envolvimento da sociedade civil é a chave para elevar a educação do estado a um patamar de excelência global.

 

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