A produção de café de Mato Grosso deve alcançar 268,9 mil sacas na safra 2026, segundo o 3º Levantamento de Café da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma queda de 3,5% em relação à estimativa anterior, enquanto problemas na estrutura de secagem de grãos em Colniza e Juína provocaram perdas após a colheita.
Os dados foram divulgados pela Conab na quinta-feira (24.09), após a consolidação das informações da safra, cuja colheita foi concluída ainda em julho. Apesar do ajuste, a companhia aponta que a cafeicultura mato-grossense segue em processo de expansão e modernização.
A produção está concentrada principalmente no norte do estado, região que apresenta características de solo e clima semelhantes às encontradas na cafeicultura de Rondônia. Conforme a Conab, essas condições têm contribuído para o avanço territorial e produtivo da cultura.
Outro movimento observado no setor é a substituição gradual de cultivares convencionais por cultivares clonais, mais adaptadas às condições locais e com potencial de produtividade. A mudança também acompanha a busca dos produtores por eficiência agronômica, rentabilidade e sustentabilidade.
Área cultivada passa por revisão
Com o encerramento da colheita, a Conab atualizou a estimativa da safra principalmente a partir da revisão da área efetivamente em produção. A atualização da base de dados e novas informações obtidas nas regiões produtoras alteraram os números estaduais.
Em Aripuanã, por exemplo, houve redução na estimativa da área destinada ao cultivo de café, fator que contribuiu para o ajuste do resultado estadual. Segundo a análise da companhia, a revisão não indica interrupção do processo de expansão da cafeicultura no estado.
Durante boa parte do ciclo, as condições de campo foram favoráveis. A distribuição das chuvas no período chuvoso de 2025/2026 ajudou a recompor a água disponível no solo e reduziu o risco de déficit hídrico nas fases de maior demanda da cultura.
Secagem se torna gargalo após colheita
O desempenho positivo das lavouras, porém, encontrou um obstáculo depois da retirada dos grãos. Em Colniza e Juína, apontados pela Conab como os principais polos produtores de café de Mato Grosso, a estrutura disponível para secagem não conseguiu absorver todo o volume colhido.
Parte da produção permaneceu ensacada, ainda na forma in natura, por cerca de 30 dias enquanto aguardava processamento. De acordo com a Conab, o período de espera provocou perdas de produto e prejudicou a qualidade de parte dos grãos.
Alguns lotes apresentaram sinais de fermentação, mofo e deterioração associados à umidade acumulada durante a espera. O cenário evidencia a necessidade de compatibilizar o planejamento da colheita com a capacidade disponível para secagem e escoamento.
O 3º Levantamento de Café – Safra 2026 reúne ainda dados consolidados da produção brasileira, incluindo informações sobre área, produtividade, produção e condições das principais regiões produtoras.
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