O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou uma denúncia contra o vereador da Câmara Municipal de Porto dos Gaúchos (644 km de Cuiabá), pelo crime de violência política de gênero.
A denúncia, protocolada pelo promotor eleitoral Pedro Facundo Bezerra, refere-se a um episódio ocorrido durante a sessão ordinária do dia 9 de fevereiro de 2026, contra a vereadora Juliana Micheli Arend.
De acordo com o MPE, a parlamentar utilizava seu tempo regimental de fala quando foi interrompida de forma abrupta e autoritária pelo denunciado.
O vereador teria determinado publicamente que ela “não abrisse a boca”, mantendo a postura de silenciamento mesmo após ser questionado. Para o Ministério Público, a conduta extrapola o debate político comum, configurando um ato deliberado de exclusão baseado na condição de mulher da vítima.
Fundamentos da Denúncia
O promotor ressaltou que a agressão verbal em ambiente público — na presença de servidores e cidadãos — atenta contra valores democráticos fundamentais.
-
Silenciamento Simbólico: O MP destaca que a expressão utilizada possui um histórico de exclusão feminina, visando dificultar o exercício do mandato eletivo.
-
Gravidade do Ato: Devido ao impacto na ordem democrática e na igualdade de gênero, o MPE considerou incabível a oferta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
Medidas Cautelares Solicitadas
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público Eleitoral requereu à Justiça a adoção de medidas para proteger a integridade psíquica da vereadora e garantir o funcionamento da Câmara:
-
Proibição de Contato: Vedação de comunicação direta com a parlamentar.
-
Restrição de Aproximação: Manutenção de distância mínima, ressalvadas apenas situações estritamente necessárias às atividades institucionais.
-
Abstenção de Ofensas: Proibição de novas manifestações intimidatórias ou constrangedoras durante o exercício parlamentar.
As medidas visam assegurar que a vereadora possa exercer seu mandato de forma plena e autônoma, em um ambiente institucional livre de humilhação e práticas discriminatórias. O caso reforça o rigor das instituições no cumprimento das leis que combatem a violência política contra a mulher no estado de Mato Grosso.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.