O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) autuou formalmente o produtor rural Oscar Luiz Cervi após fiscalização flagrar 35 trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravidão na Fazenda Reata, situada no município de Campo Novo do Parecis, no estado de Mato Grosso. Conforme as informações divulgadas pelo portal Brasil de Fato, a operação de resgate e inspeção ocorreu no mês de junho, durante o desenvolvimento de atividades voltadas ao controle manual de plantas daninhas em uma lavoura de algodão.
De acordo com o relato dos auditores fiscais do trabalho, a equipe constatou um cenário alarmante caracterizado por condições de labor e moradia severamente degradantes, além de graves restrições impostas à liberdade de locomoção dos empregados. O respectivo auto de infração trabalhista foi lavrado oficialmente em 15 de julho.
Irregularidades nos alojamentos e pulverização de agrotóxicos
Segundo o relatório circunstanciado elaborado pela fiscalização, os trabalhadores alojados na fazenda viviam em contêineres superlotados, desprovidos de instalações sanitárias minimamente adequadas e sem nenhum espaço apropriado ou higiênico para a realização das refeições diárias. Além disso, o levantamento apontou que o perímetro da área era cercado por grades de proteção e arame farpado, operando sob vigilância constante.
Um dos pontos mais graves destacados pelos auditores refere-se à realização de pulverização aérea de agrotóxicos nas imediações das frentes de trabalho e muito próxima aos alojamentos. Conforme depoimentos colhidos durante a inspeção, diversos trabalhadores manifestaram sintomas típicos de intoxicação aguda por defensivos agrícolas, a exemplo de náuseas intensas e falta de ar.
Desdobramentos administrativos e posicionamento da defesa
Conforme as regras do órgão federal, caso a autuação seja mantida após a análise de eventuais recursos na esfera administrativa, o produtor rural poderá ter seu nome inserido no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à de escravidão, conhecida nacionalmente como a Lista Suja do trabalho escravo.
Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa de Oscar Luiz Cervi, por meio do Grupo Cervi, manifestou confiança na regularidade de suas operações e reiterou o compromisso institucional com o rigoroso cumprimento da legislação vigente.
A reportagem aponta ainda que Cervi atua como fornecedor de grãos para a multinacional Bunge há mais de quatro décadas. Em resposta, a empresa informada declarou que a fazenda citada possui certificação válida de boas práticas socioambientais e é submetida a auditorias independentes periódicas. Paralelamente às questões trabalhistas, o produtor também responde a uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em julho de 2025, referente a supostas irregularidades e infrações ambientais em outra propriedade de sua titularidade, processo que segue em andamento na esfera cível.
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