O choque elétrico em Mato Grosso é quase um caminho sem volta. Das 39 pessoas que receberam descargas elétricas severas no estado no ano passado, 31 morreram.
Essa taxa de letalidade de 79% ajuda a explicar por que o estado virou uma das regiões mais perigosas do país quando o assunto é o manejo da energia.
O alerta foi reforçado após o resgate de um trabalhador em Campo Verde. Ele operava um caminhão-pipa em uma lavoura quando o jato d’água aproximou-se da fiação de alta tensão.
O operário sofreu queimaduras graves no rosto, tórax e mãos, sendo levado às pressas para o hospital local.
Quase o triplo da média nacional
Segundo o relatório da Abracopel, o perigo elétrico no estado vai muito além do ambiente de trabalho:
-
Estatística pesada: Mato Grosso registra 8 mortes para cada milhão de habitantes, enquanto a média do Brasil é de 3 por milhão. No ranking da morte por energia, o estado só perde para o Acre.
-
Incêndios e Raios: Além dos choques na fiação, o estado registrou 71 incêndios causados por curtos-circuitos (com duas mortes) e quatro descargas de raios — onde ninguém sobreviveu.
Por que a energia mata tanto no estado?
A Abracopel aponta que a culpa quase nunca é da fatalidade, mas sim da negligência. A maioria dos registros acontece por:
-
Uso de fios e cabos piratas ou fora das normas;
-
Disjuntores e fusíveis velhos que não desarmam em caso de pane;
-
Falta de manutenção em instalações antigas;
-
Descuido ao aproximar maquinários agrícolas ou andaimes da rede pública.
O que fazer ao presenciar um acidente?
O Corpo de Bombeiros lembra que o instinto de tentar puxar uma pessoa que está tomando um choque costuma criar uma segunda vítima. O procedimento correto exige cabeça fria:
-
Corte a energia: Desligue o disjuntor geral imediatamente antes de se aproximar;
-
Afaste com segurança: Se não puder desligar a energia, use um objeto de plástico ou madeira seca para afastar o fio da vítima;
-
Chame ajuda: Ligue para o 193 (Bombeiros) ou 192 (Samu).
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.