Em assembleia realizada nesta quinta-feira (20), os profissionais da educação de Lucas do Rio Verde decidiram paralisar as atividades na próxima segunda-feira (24) em protesto contra a falta de diálogo com o Executivo municipal. A principal reivindicação da categoria é a reposição geral anual (RGA), além de outras demandas que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep), não foram consideradas pela administração municipal desde novembro do ano passado.
De acordo com o sindicato, o movimento tem o objetivo de alertar o Executivo Municipal sobre a necessidade urgente de abertura de negociações da pauta de reivindicações da categoria, que inclui Índice de Ganho Real para todos os profissionais da educação, zerar a fila de licenças-prêmio e jornada única de 30 horas para todos os profissionais. Outros itens da pauta são a reposição das perdas salariais em referência ao piso do magistério, modificação do calendário de pagamentos de final de ano, bonificação alternativa para inativos no valor do vale-refeição e diligências para verificar as condições das estruturas físicas das escolas.
A assembleia contou com a presença de representantes de 21 das 24 unidades escolares do município, atingindo um recorde de público para o ano e demonstrando a ampla mobilização da categoria.
De acordo com Márcia Bottin, presidente do Sintep subsede de Lucas do Rio Verde, a paralisação foi motivada pelo descaso do Executivo. “O que mais causou indignação foi justamente a falta de diálogo. Alertamos há meses que a categoria está insatisfeita, tanto em relação ao salário quanto a outras questões, mas não fomos ouvidos. Como não houve esse canal de comunicação, a categoria decidiu pela paralisação na segunda-feira”, afirmou.
Durante a assembleia, que reuniu centenas de profissionais, o professor Eriksen Carpes, responsável pela área financeira do sindicato, explicou que houve tentativas de mediação, mas sem avanços. “O professor Jackson Lopes tentou intermediar um diálogo com a prefeitura. A Câmara nos recebeu bem e ouviu nossas demandas, mas sabemos que a decisão não cabe a ela, e sim ao Executivo. Agora estamos tentando essa articulação para que o prefeito nos receba”, disse.
A mobilização já está sendo organizada para minimizar transtornos à comunidade escolar. Márcia destacou a importância de informar os pais sobre a paralisação para que possam se preparar. “A educação não é só ensino, tem um papel social. Sabemos que isso impacta as famílias, por isso estamos comunicando as escolas para que todos possam se organizar”, pontuou.
Na segunda-feira, a categoria pretende se concentrar em frente à Câmara Municipal a partir das 8h e, em seguida, existe a possibilidade de um ato em frente à Prefeitura. Ao longo do dia devem ocorrer novas mobilizações. O Sintep também afirmou que a administração municipal já tentou barrar a paralisação, mas o setor jurídico do sindicato garantiu que o movimento segue dentro da legalidade.
A categoria aguarda um posicionamento da prefeitura e reforça que a paralisação poderia ter sido evitada caso o Executivo tivesse aberto um canal de diálogo. O Sintep seguirá mobilizado e pode anunciar novas ações caso não haja avanços nas negociações.