Estudantes de Lucas do Rio Verde criam óculos com IA e chegam à semifinal de programa da Samsung

Projeto desenvolvido por alunos do IFMT utiliza visão computacional para auxiliar pessoas com deficiência visual na leitura, identificação de objetos e obstáculos

Quatro estudantes do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) – Campus Lucas do Rio Verde estão entre as 30 equipes semifinalistas da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow, programa de cidadania corporativa da Samsung que incentiva estudantes da rede pública a desenvolver soluções para problemas reais da sociedade.

A equipe, formada por alunos do 2º ano do ensino médio, desenvolve o projeto “Óculos com Inteligência Artificial para Acessibilidade de Deficientes Visuais”, uma tecnologia de baixo custo que utiliza recursos de visão computacional para auxiliar pessoas com deficiência visual em atividades do cotidiano.

A proposta é que os óculos possam identificar informações captadas por uma câmera e transformá-las em comandos de áudio. Entre as aplicações estudadas pelos estudantes estão a leitura de textos, identificação de objetos e reconhecimento de obstáculos.

O protótipo reúne uma câmera, um mini computador com recursos de conectividade, alto-falante e fones de ouvido. A ideia é permitir que o usuário receba as informações sem precisar utilizar uma tela.

Projeto nasceu de experiência familiar

A ideia surgiu a partir da experiência da estudante Bruna Stoinski, que tem uma pessoa com baixa visão na família. Ao acompanhar as dificuldades enfrentadas no cotidiano, ela passou a pensar em como a tecnologia poderia contribuir para ampliar a autonomia de pessoas com deficiência visual.

A partir da pesquisa sobre soluções já existentes, os estudantes identificaram diferentes recursos que poderiam ser reunidos em um único dispositivo.

“Nós pesquisamos outros óculos e percebemos que alguns recursos eram voltados para descrever ambientes ou materiais, mas não eram específicos para pessoas com deficiência visual. Estamos juntando tecnologias que já existem e aprimorando todas elas em uma única solução”, explica Junior Eduardo, integrante da equipe.

Pessoas com deficiência participam do desenvolvimento

Um dos diferenciais do projeto é a preocupação dos estudantes em ouvir justamente as pessoas que utilizarão a tecnologia.

A equipe criou um formulário destinado a pessoas com deficiência visual para entender suas características, necessidades e quais recursos consideram importantes em uma solução desse tipo. Os alunos também buscam contato com escolas e profissionais que atuam na área para receber sugestões e, posteriormente, testar o protótipo.

“Quando tivermos o primeiro protótipo, nossa ideia é conversar com essas pessoas e usar os feedbacks e as ideias delas para desenvolver melhorias nos óculos. Nosso alicerce para produzir esse projeto se resume a ‘nada é sobre nós sem nós’”, afirma Bruna.

Segundo ela, a participação dos usuários é fundamental para que a tecnologia desenvolvida realmente responda às necessidades desse público.

Tecnologia também transforma aprendizado

Além da construção do dispositivo, o projeto tem proporcionado aos estudantes uma experiência prática de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

De acordo com o professor Vigner Vieira dos Santos, orientador da equipe, os alunos desenvolveram habilidades relacionadas à criatividade, organização, responsabilidade, disciplina e cumprimento de prazos.

A construção do protótipo também aproximou os estudantes de ferramentas como modelagem e impressão 3D, ampliando o contato com a experimentação prática.

Para os próprios alunos, participar do Solve for Tomorrow possibilitou conhecer outros projetos e diferentes maneiras de buscar soluções para problemas presentes no cotidiano.

“Vivenciamos muitas situações no dia a dia que não recebem a devida atenção. O Solve traz essa possibilidade de pensar em como resolver esses problemas”, afirma Ester Carla Sobral, integrante da equipe.

O professor Vigner também destaca que a experiência ampliou sua própria percepção sobre acessibilidade.

“Tenho aprendido muito com eles e com essa iniciativa. É um projeto que nos faz pensar nas pessoas ao nosso redor. Espero que possamos contribuir com essa acessibilidade e que esses estudantes possam se tornar uma referência”, afirma.

Semifinalistas do Solve for Tomorrow

O Solve for Tomorrow Brasil é uma iniciativa da Samsung voltada a estudantes e professores da rede pública de ensino. O programa utiliza a abordagem STEM, que reúne conhecimentos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, para estimular a criação de soluções para desafios reais.

A edição de 2026 teve crescimento de 7,7% no número de projetos inscritos em comparação com o ano anterior. Também houve aumento de 11% na participação feminina entre os estudantes e de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais.

Para Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, o projeto desenvolvido em Lucas do Rio Verde demonstra a importância de colocar as pessoas diretamente impactadas por uma solução no centro do processo de inovação.

Já Beatriz Cortese, diretora-executiva do Cenpec, destacou que o trabalho reúne aprendizagem, pesquisa e protagonismo estudantil.

Os 30 semifinalistas avançam na competição e, em 16 de outubro, serão anunciadas as 10 equipes finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026. As equipes selecionadas participarão de uma etapa de mentoria entre outubro e novembro.

A votação pelo Júri Popular começa em 23 de novembro, e os vencedores por categoria serão anunciados em 8 de dezembro.

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