CTN denuncia possíveis ataques a migrantes e convoca mobilização em Lucas do Rio Verde

Ato pacífico está previsto para quinta-feira (29), às 8h, na Câmara Municipal; entidade afirma ter encaminhado representações ao Ministério Público para apuração de possíveis práticas discriminatórias

O Centro de Tradição Nordestina (CTN) de Lucas do Rio Verde convocou uma mobilização pacífica em defesa do respeito aos migrantes e contra possíveis manifestações de discriminação regional no município. O ato está previsto para quinta-feira (29), às 8h, na Câmara Municipal.

A convocação ocorre após a circulação de mensagens em grupos de WhatsApp e redes sociais que, segundo a entidade, contêm manifestações depreciativas contra migrantes, referências à possibilidade de barrar ônibus e propostas de exposição de comerciantes em razão de suas posições políticas.

Em notas públicas, o CTN informou que os registros foram encaminhados às autoridades competentes para análise e eventual adoção das medidas legais cabíveis. A instituição defende que divergências políticas não devem servir de justificativa para manifestações discriminatórias, intimidações ou constrangimentos contra trabalhadores e comerciantes.

A mobilização é direcionada à comunidade nordestina, nortista e a todos os moradores que apoiam a defesa da dignidade humana e da convivência respeitosa entre pessoas de diferentes origens.

CTN informa encaminhamentos ao Ministério Público

De acordo com uma nota oficial divulgada pela entidade, foram formalizados encaminhamentos ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), além de comunicações relacionadas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O CTN informou os seguintes registros:

  • Ministério Público Federal: protocolo nº PR-MT-00053536/2026;
  • Ministério Público do Estado de Mato Grosso: SIMP nº 004987-040/2026;
  • Assembleia Legislativa de Mato Grosso: ofícios nº 623/2026 e nº 624/2026, encaminhados pelo gabinete do deputado estadual Valdir Barranco.

Segundo a instituição, o procedimento registrado no Ministério Público estadual foi objeto de comunicação de instauração recebida pela entidade.

O CTN afirma que continuará acompanhando o caso, respeitando a independência das instituições responsáveis pela análise das informações.

A entidade também ressalta que os encaminhamentos têm como objetivo solicitar a apuração dos fatos, e não promover perseguição política. A eventual existência de infrações e a responsabilização de envolvidos dependem da análise das autoridades competentes, com garantia do devido processo legal.

Entidade defende respeito aos migrantes

Na nota intitulada “Preconceito não é opinião. Intimidação não é democracia!”, divulgada um dia após o segundo turno das eleições para presidente da República, o CTN manifestou preocupação com mensagens que, conforme a entidade, apresentam conteúdo depreciativo contra migrantes e sugerem medidas de exposição ou intimidação de pessoas em razão de posicionamentos políticos.

A instituição argumenta que Lucas do Rio Verde foi construída com a contribuição de brasileiros de diferentes regiões, incluindo nortistas, nordestinos, sulistas e mato-grossenses.

O CTN também reconhece a liberdade de expressão, o direito à manifestação pacífica e a diversidade de opiniões políticas, mas sustenta que esses direitos devem ser exercidos sem ameaças ou discriminação.

Para a entidade, a defesa dos direitos dos migrantes é uma questão de respeito à dignidade humana e à liberdade de circulação, independentemente da origem regional ou da orientação política de cada cidadão.

Mobilização será realizada na Câmara Municipal

A manifestação convocada pelo CTN pretende reunir moradores em um ato pacífico de conscientização e defesa do respeito às diferentes origens regionais.

A entidade convida integrantes da comunidade nordestina e nortista, além de outros moradores interessados na pauta, a participar da mobilização.

A instituição reforça que a iniciativa busca defender a convivência respeitosa entre os moradores e combater possíveis práticas discriminatórias.

O caso segue sujeito à análise das autoridades competentes, responsáveis por verificar o conteúdo dos registros apresentados e determinar eventuais providências.

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