Garimpo ilegal “devora” bacia do Juruena e avança 1.000% em áreas protegidas de Mato Grosso

Relatório com imagens de satélite SkySat expõe estrutura pesada com maquinário e acampamentos fixos nos Parques Nacional e Estadual do Juruena; estado vai na contramão da Amazônia.

Mato Grosso virou ponto fora da curva na preservação da Amazônia Legal. Enquanto estados vizinhos conseguem estancar a derrubada da floresta, a expansão agropecuária e, principalmente, a invasão do garimpo clandestino fazem os índices de destruição disparar no estado.

Um relatório do Monitoring of the Andes Amazon Program (MAAP) revela que a área devastada pela mineração ilegal na bacia do Rio Juruena cresceu mais de 1.000% em menos de um ano.

Imagens do sistema de satélite de alta resolução SkySat mostram que a destruição não é fruto de ações isoladas: garimpeiros fincaram acampamentos fixos, abriram estradas e usam maquinário pesado dentro de Unidades de Conservação de Proteção Integral — locais onde qualquer tipo de mineração é expressamente proibido pela Lei nº 9.985/2000.

Devastação rasga parques federal e estadual

O raio-X do MAAP mapeou a explosão do garimpo entre agosto de 2025 e os primeiros meses de 2026:

  • Parque Nacional do Juruena (Federal): A área impactada saltou de 10,5 hectares para 79,5 hectares em apenas oito meses — uma disparada de 660%. No acumulado histórico, a degradação dentro do parque saltou de 240 hectares em 2018 para 730 hectares em junho de 2026.
  • Parque Estadual Igarapés do Juruena (Estadual): A destruição passou de 8,6 hectares para 43,7 hectares no mesmo período (alta de 408%).
  • Avanço combinado: Somando as duas unidades de conservação, o estrago cresceu impressionantes 1.068%.

Quase 100% dos garimpos identificados operam sem qualquer concessão da Agência Nacional de Mineração (ANM), operando em total ilegalidade.

Lama, mercúrio e contaminação do rio

A tragédia na bacia do Juruena ultrapassa a derrubada de árvores. O uso de escavadeiras e dragas no leito dos rios provoca o assoreamento das águas, despeja toneladas de lama nos canais e contamina a bacia com mercúrio.

O metal pesado mata a fauna aquática e coloca em risco direto as comunidades tradicionais e ribeirinhas da região, que dependem da pesca para sobreviver e se alimentar.

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