Força Feminina: Mulheres quebram barreiras e assumem o comando em obras e indústrias de Mato Grosso

Com um salto de 57% na presença industrial e foco em grandes projetos como a primeira ferrovia estadual, Mato Grosso vive uma transformação histórica no mercado de trabalho.

O cenário das obras pesadas e dos pátios industriais em Mato Grosso está ganhando novos contornos. Onde antes imperava quase exclusivamente a presença masculina, hoje as mulheres ocupam cabines de retroescavadeiras, lideram frentes de engenharia e operam sistemas complexos. Mais do que uma mudança visual, os dados do Observatório da Indústria de Mato Grosso confirmam uma revolução produtiva: o estado conta atualmente com 44 mil mulheres na indústria, um crescimento expressivo de 57,63% desde 2018.

Embora o setor de alimentos ainda concentre a maior parte dessa força de trabalho, a verdadeira “fronteira” está sendo rompida nas áreas técnicas. Atualmente, as mulheres representam 22% do universo de 198 mil trabalhadores industriais do estado, um índice que, segundo especialistas, tende a crescer à medida que a qualificação técnica se torna o novo passaporte para o sucesso feminino.

Qualificação: O trilho para a independência

Um dos grandes motores dessa mudança é o programa “Nos Trilhos de Mato Grosso”. Fruto de uma parceria entre a Rumo Logística, o IEL MT e o Senai MT, a iniciativa oferece cursos gratuitos em profissões estratégicas como operação de máquinas pesadas, alvenaria, elétrica industrial e carpintaria.

Para atrair mais mulheres, o programa oferece bolsa-auxílio e certificação, focando em cidades como Primavera do Leste, Campo Verde e Jaciara. O objetivo é claro: formar mão de obra para a construção da primeira ferrovia estadual de Mato Grosso. “A educação transforma cenários. Pela capacitação, as mulheres mudam o rumo de suas carreiras”, afirma Pablinne Pereira, BP de RH da Rumo.

Liderança na Engenharia e Operação

A presença feminina já é uma realidade consolidada na expansão ferroviária. Em 2024 e 2025, o projeto alcançou a marca de 400 mulheres atuando em diversas frentes. Angela Fernandes Vieira, analista de engenharia, é um exemplo dessa nova geração. Para ela, o desempenho está ligado ao preparo, não ao gênero. “As empresas perceberam que equipes diversas trazem resultados melhores. Hoje, vemos mulheres na tomada de decisão e na operação técnica”, destaca.

Fernanda Campos, superintendente do IEL MT, reforça que a inclusão produtiva não é apenas uma questão social, mas um pilar de competitividade para o estado. Ao qualificar mulheres para funções operacionais e estratégicas, Mato Grosso garante que seu crescimento econômico seja mais inovador e equilibrado.

Como participar da mudança

Para as interessadas em ingressar no setor, os cursos do programa “Nos Trilhos” ocorrem no período noturno, facilitando o acesso para quem já possui outras atividades durante o dia. A qualificação continua sendo o principal diferencial para quem deseja ocupar espaços de destaque na indústria e na infraestrutura mato-grossense.

 

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