O crescimento da frota eletrificada e o avanço de novos modelos esbarram em severos gargalos estruturais no interior de Mato Grosso. Embora o mercado de automóveis usados registre variações moderadas no estado — com alta acumulada de 4,34% em 12 meses, segundo o índice IBV Auto —, a transição para a mobilidade elétrica enfrenta barreiras operacionais severas que distanciam a realidade local das grandes capitais do país.
O principal entrave diagnosticado por especialistas e motoristas reside na escassez crônica e na precariedade da rede de abastecimento. Os chamados eletropostos públicos são raros nas rodovias que integram as rotas mato-grossenses, limitando deslocamentos de média e longa distância entre municípios produtores e polos regionais.
A situação é agravada por falhas recorrentes na manutenção dos equipamentos já instalados e pela prática de venda de carregadores e insumos atrelados a redes corporativas específicas, muitas vezes desacompanhadas de suporte técnico adequado na região. Essa combinação de fatores — somada à desvalorização acelerada que atinge os modelos eletrificados seminovos no país — transforma a compra de um carro elétrico em um desafio logístico para o consumidor mato-grossense, que segue refém de uma infraestrutura ainda incipiente.
Elétricos seguem com desvalorização mais intensa no mercado de usados
O levantamento do IBV Auto, índice do banco BV, também mostra que o tipo de propulsão continua influenciando diretamente a manutenção do valor dos veículos no mercado de usados. Os modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 46,1%, movimento influenciado pela queda nos preços dos veículos novos, pelo aumento da concorrência e pelas estratégias agressivas de precificação adotadas pelas montadoras para ampliar participação no segmento.
Os híbridos acumulam desvalorização média de 26,1%, enquanto os automóveis a combustão comparáveis registram perda de valor de 19,6%. Entre os modelos lançados em 2022, a desvalorização média dos elétricos alcança 50,5%, enquanto os híbridos acumulam queda de 19,3% e os automóveis a combustão comparáveis registram desvalorização de 13,2%.
Metodologia IBV Auto
O IBV Auto é um indicador desenvolvido para medir, com precisão e base metodológica robusta, a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil. Construído a partir da base de dados do banco BV, líder em financiamento de veículos no país, o índice reflete as tendências de valor de mercado a partir de um volume expressivo de transações reais. Sua metodologia incorpora critérios rigorosos de amostragem, ajustes por depreciação e agrupamento técnico de modelos, permitindo acompanhar mensalmente a dinâmica dos preços por região e tipo de propulsão — combustão, híbrido ou elétrico
A ponderação é realizada com base no valor total das negociações (volume * preço): quanto maior o preço e mais comercializado for um determinado modelo e ano, maior será o peso do veículo na cesta que compõe o indicador.
O índice utiliza o ano de 2019 como base histórica inicial, fixando o indicador nacional em 100, para permitir comparações ao longo do tempo até o mês mais recente. Nos índices regionais, a base é ajustada de acordo com a diferença média de preços em relação ao mercado nacional naquele ano. Isso garante que a série reflita com precisão a evolução dos preços e as diferenças regionais, oferecendo uma leitura mais apurada do mercado de usados.
Além disso, o IBV Auto busca medir a evolução das taxas de desvalorização de cestas comparáveis de automóveis híbridos (HEV), elétricos (BEV) e a combustão (ICE) mensalmente. O objetivo principal é permitir a comparação da desvalorização de automóveis com diferentes tipos de propulsão (a combustão, híbridos e elétricos), tomando como base veículos de mesma idade e características gerais comparáveis (preço quando novo, tamanho, categoria, país de origem, entre outros).
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