A Justiça de Cuiabá autorizou o início do processo de recuperação judicial dos pecuaristas Vicente Evaristo Filgueira Neto e Luiz Roberto da Silva Filgueira, que acumulam dívidas de R$ 12,4 milhões. A decisão foi proferida pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Falências, conforme consta nos autos do processo.
De acordo com a decisão judicial, o pedido de recuperação judicial permite que os produtores rurais busquem reorganizar suas atividades econômicas sob proteção legal, mecanismo utilizado por empresas em crise financeira ou administrativa para evitar a paralisação das operações.
Conforme previsto na legislação, o deferimento da recuperação judicial garante, por período determinado, a suspensão de parte das cobranças e medidas contra o patrimônio utilizado na atividade produtiva. Esse mecanismo funciona como uma espécie de proteção temporária enquanto os devedores apresentam um plano de reestruturação financeira.
Segundo os pecuaristas, a crise econômico-financeira foi agravada por fatores externos à gestão da propriedade. Entre eles, a seca e as queimadas no Pantanal, que teriam provocado danos à produção da fazenda e causado a perda de semoventes.
Os produtores também apontaram o aumento expressivo dos custos operacionais, incluindo insumos, fertilizantes, combustíveis e outros produtos essenciais, além da queda nos preços de commodities, como carne bovina e soja, fatores que teriam impactado diretamente o faturamento da atividade rural.
Reportagem especial do podcast Guilhotina, do jornal Le Monde Diplomatique Brasil, publicada em 2025, aponta que queimadas em áreas rurais também estão associadas a conflitos fundiários no Mato Grosso. O material cita disputas envolvendo povos tradicionais, como quilombolas, indígenas e ribeirinhos, além de agricultores familiares.
Segundo a série de reportagens, entre 2019 e 2022 cerca de 121 mil famílias foram envolvidas em conflitos agrários relacionados ao uso do fogo em áreas rurais. O levantamento também destaca diferenças estruturais entre o agronegócio voltado à produção em larga escala e a agricultura familiar.
No caso específico dos pecuaristas que solicitaram a recuperação judicial, o próximo passo do processo é a apresentação da lista de credores, etapa que será conduzida no âmbito do Poder Judiciário.
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