Como grupo criminoso usava ‘fazenda fantasma’ para sonegar R$ 30 milhões em ICMS entre Mato Grosso e Rondônia?

Quadrilha usava "fazenda fantasma" e notas fiscais simuladas para transportar gado e burlar impostos; sete mandados foram cumpridos em municípios de Mato Grosso.

Uma forte fiscalização contra fraudes no agronegócio foi para as ruas na manhã desta quinta-feira (10). A Operação Ganatum II cumpriu mandados de busca e apreensão para estourar um esquema milionário de sonegação de imposto na venda de gado bovino entre Mato Grosso e Rondônia. A movimentação ilegal ultrapassa os R$ 30 milhões.

Ao todo, 12 endereços foram alvos de buscas em seis cidades dos dois estados. Em solo mato-grossense, as equipes da polícia e do fisco bateram à porta de investigados em sete locais distribuídos por quatro municípios: Comodoro (3 mandados), Santo Afonso (2 mandados), Dom Aquino (1 mandado) e Castanheira (1 mandado).

Como funcionava a trapaça do gado em Mato Grosso?

Para conseguir vender milhares de bois sem pagar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), os criminosos montaram uma engenharia de papéis falsos:

  • Boi sem nota: Os animais eram comprados diretamente com pecuaristas rondonienses sem a emissão de nota fiscal, levando apenas a Guia de Trânsito Animal (GTA).

  • Transferência de fachada: Em seguida, o grupo gerava notas fiscais “frias”, fingindo que o lote de animais estava apenas sendo transferido entre fazendas de um mesmo dono — manobra usada para se esquivar da cobrança do imposto.

  • Entrega oculta e “laranjas”: Na prática, os bois iam direto para a mão dos compradores finais em Mato Grosso, sem nenhum registro oficial de venda. Nomes de terceiros eram usados para esconder os verdadeiros donos do dinheiro.

  • A fazenda “fantasma”: Durante as investigações, os agentes descobriram que uma das propriedades rurais usadas no papel não tinha estrutura física alguma para abrigar a enorme quantidade de gado declarada. O local funcionava puramente como uma “fachada” para dar aparência de legalidade ao golpe.

Ação conjunta

Cerca de 70 profissionais participaram da investida. A ação foi deflagrada pelo Comitê de Recuperação de Ativos de Rondônia em parceria com o comitê mato-grossense (Cira-MT), reunindo o Ministério Público, secretarias de Fazenda, Procuradorias dos Estados e as Polícias Civis do MT e de RO.

O nome da operação, “Ganatum”, vem do latim e faz referência à busca incessante por ganho e lucro fácil através de fraudes no setor pecuário.

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