Conluio Pantaneiro é o nome da operação da Polícia Civil que revelou um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 54 milhões entre 2022 e 2024, conforme divulgado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). A ação foi deflagrada nesta sexta-feira (20), com prisões em cidades de Mato Grosso, São Paulo e Paraná, e apontou o uso sistemático de contas bancárias de esposas dos investigados para ocultar a origem ilícita dos valores.
Estrutura financeira do esquema
Conforme apurado pelas investigações, o líder do grupo, de 49 anos, foi preso em Cáceres e atuava na coordenação das atividades criminosas, incluindo pagamentos e logística do tráfico. A Polícia Civil identificou que a esposa dele, formalmente empresária, exercia papel no núcleo financeiro da organização.
Entre 2023 e 2024, ela movimentou mais de R$ 2,4 milhões em contas bancárias. Segundo os investigadores, ao menos R$ 643 mil não tiveram origem comprovada. Parte dos depósitos foi feita pela própria investigada, o que levantou suspeitas de tentativa de dissimular a procedência do dinheiro.
Uso de familiares para ocultação de valores
Outro investigado, preso em Várzea Grande, já havia sido detido em 2023 pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron) ao atuar como “batedor” no transporte de mais de 460 kg de drogas em Poconé. A partir dessa prisão, a Polícia Civil identificou a atuação dele em um esquema maior.
Segundo a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, a companheira do suspeito funcionava como intermediária financeira. “Entre 2023 e 2024, ele recebeu da companheira R$ 247 mil, o que demonstra que a conta dela era utilizada como conta de passagem”, afirmou em nota oficial.
A mulher, que declarou atuar como manicure e não apresentou imposto de renda no período investigado, movimentou cerca de R$ 3,9 milhões. Parte significativa dos valores veio de empresas de fachada sediadas em São Paulo, segundo a investigação.
Conexões e expansão do grupo
O esquema também envolvia outros familiares e intermediários. Um dos elos identificados foi Wagner Gonçalves Neto, morto em confronto com o Gefron em 2023. Ele exercia papel central na comunicação entre os membros e na distribuição de pagamentos.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo mantinha uma rede estruturada que incluía:
- Intermediários responsáveis por repasse de valores;
- Familiares usados para movimentação financeira;
- Empresas de fachada para ocultação de recursos;
- Logística para transporte interestadual de drogas.
Outro casal investigado também utilizava contas bancárias femininas para receber valores do tráfico. A polícia identificou transferências entre diferentes integrantes, indicando integração financeira entre os núcleos do grupo.
Aspectos legais e investigação
Segundo a legislação brasileira, a prática de ocultar ou dissimular a origem de recursos ilícitos configura crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998. As penas podem chegar a 10 anos de prisão, além de multa.
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão e diversas ordens de busca e bloqueio de bens. As ações ocorreram em Cáceres, Poconé, Várzea Grande, Taubaté (SP) e Cruzeiro do Oeste (PR), por determinação da Justiça da Comarca de Cáceres.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o destino dos valores movimentados.
Denúncias anônimas podem ser feitas diretamente às autoridades policiais.
Reportagem baseada em informações da Polícia Civil (Defron e Draco).
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