Bully ganha versão experimental na Unreal Engine 5

Projeto independente recria áreas de Bullworth, testa combates e usa IA para criar diálogos interativos com estudantes.

Uma versão experimental de Bully: Scholarship Edition está sendo reconstruída na Unreal Engine 5.8 por um desenvolvedor independente identificado como Ashen. O projeto utiliza inteligência artificial (IA) para auxiliar na programação e já permite explorar partes da Bullworth Academy, controlar Jimmy Hopkins e testar mecânicas de combate.

A demonstração foi apresentada pelo criador em um vídeo publicado na rede social X em 18 de outubro de 2026. O código-fonte e as instruções técnicas estão disponíveis no GitHub, mas o trabalho ainda não corresponde a um remake completo. Também não existe um instalador convencional pronto para o público.

O que já funciona no projeto de Bully

A reconstrução de Bully na Unreal Engine 5 reúne recursos jogáveis que vão além de uma simples demonstração gráfica. A documentação do desenvolvedor descreve ambientes exploráveis, movimentação do protagonista e sistemas iniciais de interação e combate.

Entre os recursos disponíveis estão:

  • Exploração: é possível percorrer a entrada, o pátio e o saguão da Bullworth Academy, incluindo transições entre áreas internas e externas.
  • Movimentação: Jimmy Hopkins pode andar, correr, saltar e acelerar o passo, com câmera em terceira pessoa e animações próprias.
  • Combate: o sistema experimental inclui sequências de golpes, defesa, agarrões e reações dos adversários. Os estudantes também podem participar de confrontos.
  • Missões: a abertura chamada Day One apresenta objetivos e indicadores de progresso, embora parte das verificações tenha ocorrido por meio de testes automatizados.

Apesar dos avanços, o projeto ainda apresenta limitações. O repositório registra problemas de animação, colisão e iluminação, além da necessidade de avaliar alguns sistemas em sessões completas de jogo. As áreas externas à academia também não estão totalmente disponíveis.

Isso significa que a reconstrução não permite concluir toda a campanha original com gráficos atualizados. O conteúdo atual deve ser entendido como uma experiência técnica em desenvolvimento.

IA permite conversas com os estudantes

O uso de inteligência artificial é um dos principais diferenciais do projeto. Segundo Ashen, agentes de programação ajudaram a acelerar o desenvolvimento, enquanto o criador ficou responsável pela direção do trabalho e pela condução dos testes.

A implementação também experimenta conversas abertas com personagens não jogáveis, conhecidos como NPCs. Em vez de depender apenas de falas predefinidas, o sistema permite que o jogador se aproxime de um estudante e inicie um diálogo gerado por um modelo de linguagem.

De acordo com a documentação disponível no GitHub, os personagens podem receber personalidades configuradas e utilizar informações resumidas de interações anteriores. Dessa forma, o sistema pode registrar memórias de conversas para influenciar encontros posteriores.

A experiência também prevê interação por voz. A transcrição pode utilizar o whisper.cpp, enquanto a geração de fala pode recorrer ao Fish Audio. Esses recursos dependem de configurações adicionais e de credenciais ou serviços compatíveis, portanto não funcionam automaticamente em qualquer instalação.

A proposta amplia as possibilidades de interação com os estudantes de Bullworth, mas ainda não representa um sistema finalizado. O funcionamento depende das ferramentas configuradas pelo usuário e do estágio de desenvolvimento da implementação.

Como testar a reconstrução de Bully

Quem deseja experimentar o projeto precisa consultar o repositório oficial de Ashen e seguir as instruções de compilação e importação dos arquivos. O procedimento exige conhecimentos técnicos, a Unreal Engine 5.8, ferramentas de desenvolvimento compatíveis e uma cópia legal de Bully: Scholarship Edition para PC.

Os arquivos originais do jogo não são distribuídos pelo repositório. O usuário precisa importá-los localmente a partir da própria instalação. Essa exigência diferencia o projeto de um jogo independente que pode ser baixado e executado diretamente.

Outro ponto importante é a compatibilidade. O fluxo de desenvolvimento documentado foi preparado em macOS, enquanto a instalação em Windows e Linux ainda não foi verificada pelo autor. Algumas etapas também dependem de ferramentas auxiliares que não acompanham o código.

O projeto está disponível para consulta e colaboração, mas não há promessa de conclusão da campanha nem previsão de lançamento. A iniciativa também não possui vínculo oficial anunciado com a Rockstar Games ou a Take-Two Interactive.

Desempenho e gráficos da Unreal Engine 5

Na apresentação inicial, Ashen relatou que a demonstração funcionava em resolução de 1080p e alcançava aproximadamente 45 quadros por segundo em um computador Mac. O número foi informado pelo próprio desenvolvedor e não corresponde a um teste independente de desempenho.

O resultado não garante a mesma taxa de quadros em outros computadores. O desempenho pode variar conforme o hardware, as configurações gráficas e os recursos utilizados na execução do projeto.

A iluminação e os ambientes reconstruídos aproximam o visual de uma apresentação mais realista. Entretanto, essa mudança também gera discussões sobre a identidade artística do clássico lançado em 2006. Em análise sobre a demonstração, o TweakTown observou que o fotorrealismo pode reduzir parte do estilo exagerado que ajudava a definir a personalidade do jogo original.

Modernizar os gráficos, portanto, não significa necessariamente reproduzir todas as características visuais que tornaram Bully reconhecível. A experiência atual funciona como uma interpretação técnica do material original, e não como uma remasterização oficial.

O projeto confirma a chegada de Bully 2?

Não. A reconstrução independente não representa um anúncio da Rockstar Games e não confirma o desenvolvimento de uma sequência, remasterização ou remake oficial. Até o momento, não há uma continuação de Bully anunciada oficialmente.

O interesse pela franquia também aparece em outros projetos independentes, como Agefield High, que recupera elementos de jogos ambientados no cotidiano escolar. Iniciativas de reconstrução e preservação de títulos clássicos demonstram como comunidades de fãs tentam manter essas experiências em evidência.

Por enquanto, o trabalho de Ashen oferece uma demonstração de como uma engine moderna e ferramentas de IA podem ser utilizadas para reconstruir sistemas de um jogo conhecido. Quem deseja acompanhar o resultado pode consultar o vídeo original e a documentação técnica do desenvolvedor.

Para quem pretende jogar a campanha completa, porém, Bully: Scholarship Edition continua sendo a alternativa disponível. A versão experimental ainda não oferece uma experiência completa equivalente ao título original.

Perguntas frequentes

O remake de Bully na Unreal Engine 5 é oficial?

Não. O projeto é uma iniciativa independente de Ashen e não tem participação oficial anunciada da Rockstar Games.

Já é possível jogar essa versão de Bully?

É possível tentar executar o projeto experimental seguindo as instruções do GitHub. No entanto, não há instalador pronto nem campanha completa, e a configuração exige ferramentas de desenvolvimento e uma cópia original do jogo para PC.

O projeto funciona no Windows?

O desenvolvimento documentado foi realizado em macOS. Segundo o autor, a instalação em Windows e Linux ainda não foi verificada.

Bully 2 foi anunciado?

Não. A reconstrução na Unreal Engine 5 é um projeto independente e não representa um anúncio de Bully 2.

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