A revolução tática no futebol: como dados e tecnologia estão transformando o jogo

O futebol mudou. Muitos acham que para melhor. Outros não. O que é inegável é que está diferente. Deixou de existir aquele “futebol espetáculo” e transformou-se num futebol muito mais tático e premeditado. A quem se deve isso? Em grande medida às equipas técnicas que têm, hoje, ao seu dispor, mecanismos que nos anos 60 e 70 não tinham. Ou se tinham, era de forma empírica.

Hoje os dados e a tecnologia vieram revolucionar tudo. Há times como Liverpool a treinar escanteios com AI. Há também vários times brasileiros que desde muito cedo começaram a usar os dados para melhorar alguns aspetos da sua equipe. Vamos-lhe mostrar alguns exemplos já de seguida.

A tecnologia como aliada da comissão técnica

O uso de dados no futebol não se limita a estatísticas simples como posse de bola ou número de passes. Hoje, os clubes combinam tracking de jogadores, métricas avançadas de desempenho, análise de zonas ocupadas e inteligência artificial que cresce transversalmente em todas as áreas e não apenas no futebol.

Ao monitorar a distância percorrida por cada atleta, zonas de pressão e padrões de recomposição defensiva, é possível determinar estratégias de marcação específicas contra rivais. Essa abordagem permite que treinadores ajustem o posicionamento em tempo real, antecipem movimentos adversários e explorem fraquezas táticas identificadas por algoritmos.

Casos brasileiros que lideram a transformação

1. Atlético-MG: departamento exclusivo de dados

O Atlético-MG foi pioneiro no Brasil ao criar um departamento dedicado a analytics. Cientistas de dados do Galo analisam métricas como distância percorrida, posse de bola e zonas ocupadas para oferecer insights táticos precisos.

Um exemplo prático é o uso desses dados para pressing alto contra ataques laterais de adversários da Série A. A comissão técnica recebe recomendações sobre como ajustar a formação em tempo real e otimizar a performance individual, minimizando erros estratégicos.

O departamento não só auxilia na preparação para jogos específicos, mas também oferece suporte contínuo em logística e análise de performance, transformando a gestão do clube em um modelo de eficiência baseado em dados.

Graficos

2. Fluminense: pioneirismo em análise desde 2014

O Fluminense se destacou ao ser o primeiro clube brasileiro a contratar um profissional dedicado à análise de dados, Pedro Pereira, ainda em 2014. Desde então, o Tricolor utiliza big data para identificar talentos globais e monitorar padrões coletivos, como recomposição de marcação após perda de bola. O impacto desse trabalho é visível no scouting e nas contratações.

3. Corinthians: IA Footbao para descoberta de talentos

O Corinthians inovou ao utilizar a IA da Footbao, combinando visão computacional e análise de vídeo da base para descobrir talentos. Jogadoras como Glória Gasparini, convocada para a seleção sub-17, foram identificadas com base em dados de desempenho, enquanto no masculino, algoritmos ajudam a mapear heatmaps de pressão e sugerir posicionamentos otimizados em tempo real.

Essa tecnologia transforma o desenvolvimento da base em um processo científico, oferecendo recomendações de posicionamento, padrões de movimentação e estratégias personalizadas para cada jogador, tornando a transição da base para o profissional mais eficiente.

Um olhar internacional: Liverpool e TacticAI

No cenário internacional, o Liverpool demonstra como a tecnologia pode elevar o nível tático de clubes de elite. Com a parceria da Google DeepMind, os Reds utilizam o sistema TacticAI para simular rotinas de bola parada, como escanteios e faltas, prevendo probabilidades de gol e sugerindo reposicionamentos estratégicos.

Em testes internos, os treinadores preferiram as sugestões do TacticAI em 90% das situações analisadas. A ferramenta combina análise de tracking, big data e storytelling tático, permitindo que a equipe explore contratações e set-pieces de maneira mais eficiente. O resultado é um futebol mais planejado e adaptável, mesmo contra adversários de alto nível.

Casas de apostas e IA

Além dos clubes, casas de apostas, onde a app da Betsson se destaca, também estão usando inteligência artificial para melhorar suas operações. Algoritmos avançados analisam grandes volumes de dados de partidas em tempo real para ajustar odds, prever probabilidades de eventos e identificar padrões de apostas dos usuários. Essa tecnologia permite precificação mais precisa, detecção de comportamentos suspeitos e personalização de ofertas, mostrando que a IA não transforma apenas o jogo dentro de campo, mas também como ele é consumido e monetizado fora dele.

O Brasil na vanguarda da revolução tática

O país, tradicionalmente conhecido por seu talento natural, agora combina habilidade com tecnologia. Clubes brasileiros como Atlético-MG, Fluminense e Corinthians mostram que dados e IA podem ser aplicados de forma prática, melhorando performance, descobrindo talentos e oferecendo suporte à comissão técnica.

O uso de tecnologia também reflete um movimento global: assim como no futebol, setores como educação, saúde e transporte estão sendo transformados por dados e inteligência artificial. No caso da educação, por exemplo, o uso da IA impõe desafios a todos os países, desde a adaptação de currículos até a necessidade de treinar profissionais para interpretar algoritmos, mostrando que a integração de tecnologia exige preparo e estratégia.

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