A 28ª edição do Sonora Brasil, promovida pelo Sesc, apresenta uma turnê nacional com artistas e grupos da música afro-indígena, abrangendo 15 estados e oferecendo shows inéditos que destacam a diversidade cultural brasileira.
O festival terá início em junho, em Santarém (PA), e seguirá até dezembro, com o objetivo de imergir o público nas expressões musicais afro-indígenas, reconhecidas como patrimônio vivo e em constante renovação.
A organização enfatiza que essas tradições atravessam gerações, resistem a apagamentos históricos e se conectam às novas linguagens e tecnologias contemporâneas.
Ancestralidade
O músico indígena Gean Ramos Pankararu, de Pernambuco, trabalha a conexão entre ancestralidades indígenas e negras em suas composições.
“Recebo esse convite com muita responsabilidade para levar nosso trabalho a lugares ainda mais distantes e ajudar na construção da consciência do que são os povos indígenas no contexto contemporâneo”, afirmou.
Gean iniciou sua trajetória musical na infância, no território Pankararu, nos municípios de Petrolândia, Jatobá e Tacaratu, aprendendo violão e cavaquinho com sua família.
Nascido em 1980, ele destaca que desde 2008 retorna ao território para desenvolver um trabalho enraizado em sua cultura e tradição, fortalecendo sua expressão artística.
Resistência
O artista reforça que a música é uma ferramenta de conscientização e resistência, transmitindo a história e a luta dos povos indígenas brasileiros.
“A música é um portal muito grande na minha vida e na história do meu povo. É uma relação espiritual que parte da conexão com a terra e com a natureza.”
Gean acredita que a música desempenha um papel fundamental na construção de consciência para as futuras gerações, além de servir como instrumento de luta.
Ele ressalta: “Minha relação com a música profissional tem sido nesse lugar de consciência indígena, escrevendo uma história a partir da cosmovisão indígena e criando pontes entre mundos.”
“A música mais antiga que a gente tem nesse país é a música indígena”, reforçou sobre a importância de valorizar essas manifestações culturais.
Sonora Brasil – 28 anos
O Sonora Brasil é um dos projetos mais duradouros do Sesc, promovendo desde 1998 a difusão da música e manifestações culturais brasileiras.
Segundo Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, o projeto busca formar ouvintes musicais e divulgar a diversidade cultural do país.
Cada artista ou grupo realizará cerca de 30 a 40 apresentações em todas as regiões brasileiras ao longo do ano, garantindo diversidade e novidades a cada edição.
Entre os destaques da turnê estão o grupo Suraras do Tapajós (PA), o Cabokaji (BA) e o Nderé Oblé, que unem referências indígenas, afro-brasileiras e contemporâneas em suas performances, abordando temas como territorialidade, ancestralidade e reparação histórica.
Edição 2024-2025
No biênio 2024-2025, dez combinações de grupos e artistas circularam pelo país, apresentando shows inéditos e misturando referências, estilos e instrumentos diversos. A temática da edição, Encontros, Tempos e Territórios, gerou uma série documental produzida pelo SescTV, disponível gratuitamente no Sesc Digital.
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