O Bloco do Amor voltou a ocupar o centro de Brasília neste sábado de carnaval com a proposta de unir festa, diversidade e respeito. Sob o lema “Sonhar como ato de existência”, a edição de 2026 reuniu foliões nos arredores da Biblioteca Nacional e do Museu Nacional, dentro da estrutura da Plataforma Monumental, que concentra eventos ao longo de quatro dias.
Fundado em 2015, o bloco nasceu com a proposta de promover manifestações político poéticas em defesa do afeto coletivo, da representatividade e da convivência entre diferenças. Ao longo de 11 anos de trajetória, consolidou se como uma das celebrações mais simbólicas do carnaval da capital federal. Em 2025, segundo os organizadores, o público chegou a quase 70 mil pessoas.
De acordo com a coordenadora geral, Letícia Helena, a diversidade também se expressa na trilha sonora do evento, que mistura axé retrô, música eletrônica, pop, MPB e forró. A proposta, segundo ela, é garantir um ambiente seguro, especialmente para a comunidade LGBTQIAPN+, com protocolos internos para orientar a equipe diante de situações de risco.
Os organizadores afirmam que, em 2024, o bloco não registrou ocorrências de violência ou assédio contra mulheres, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. Para a coordenação, o resultado é reflexo do trabalho preventivo e da comunicação constante sobre respeito e convivência.
A origem do Bloco do Amor remete à Via S2, no Plano Piloto, onde ocorreu a primeira edição, fruto de uma mobilização voluntária. Com o crescimento do público, a festa foi transferida para a área externa do Museu Nacional.
Entre os foliões, o clima era de celebração e pertencimento. O estudante Alasca Ricarte, que participa do bloco há quatro anos, afirmou que o carnaval representa uma oportunidade de expressar identidade e liberdade. Já a bióloga Clarice Pontes, que participou pela primeira vez de um bloco, disse esperar viver um momento de paz e diversão em um ambiente marcado pela aceitação.
A estudante Ana Luíza destacou que escolheu o evento em busca de segurança e respeito. Segundo ela, a experiência em outros blocos incluiu situações de desrespeito, o que reforçou a importância de espaços organizados com foco na liberdade responsável.
Acompanhado da esposa e da filha, Ricardo Maurício afirmou que faz questão de apresentar à criança a importância da diversidade. Para ele, conviver com diferentes realidades é parte da formação cidadã e contribui para naturalizar o respeito.
Com forte presença de jovens e famílias, o Bloco do Amor reafirma o carnaval como espaço de convivência plural, onde a festa caminha ao lado da defesa da igualdade e da liberdade.
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