O Banco Central indicou cautela ao não sinalizar novos cortes na taxa Selic, principal referência de juros da economia brasileira. A posição consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (24).
Na reunião anterior, o colegiado reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,75% ao ano. Segundo o documento, as próximas decisões dependerão da evolução do cenário econômico e da incorporação de novos dados.
De acordo com o Copom, o ambiente atual é marcado por incertezas elevadas, especialmente devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio e sinais divergentes sobre o ritmo da atividade econômica global. Esses fatores dificultam a identificação de tendências claras para inflação e crescimento.
Antes da intensificação dos conflitos, a expectativa predominante no mercado era de um corte maior nos juros. No entanto, o comitê avaliou que o momento exige perseverança, firmeza e serenidade, além de manter uma política monetária mais restritiva por um período mais prolongado.
A ata também destaca que as expectativas de inflação voltaram a subir após o agravamento do cenário internacional, permanecendo acima da meta definida. Esse movimento aumenta o custo do controle inflacionário e exige maior rigor na condução da política monetária.
O Banco Central reforçou que seguirá acompanhando os impactos diretos e indiretos dos conflitos, especialmente sobre preços de commodities como o petróleo, que influenciam a inflação doméstica.
No Brasil, a meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para este ano, a projeção do mercado financeiro para o índice oficial de preços está em 4,17%, acima do centro da meta.
As estimativas também indicam que a taxa Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,5% ao ano, ainda em patamar elevado.
Além do cenário externo, o Copom ressaltou que a situação fiscal brasileira é determinante para o controle da inflação. A política fiscal influencia tanto a demanda quanto a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida pública.
O comitê alertou que incertezas fiscais, aumento do crédito direcionado e enfraquecimento de reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia, tornando o combate à inflação mais custoso.
Diante desse quadro, o Banco Central sinaliza que continuará adotando uma postura cautelosa, aguardando maior clareza sobre o cenário global e doméstico antes de definir os próximos passos na política de juros.
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