A Petrobras anunciou a recompra de 50% de participação nos campos de Tartaruga Verde e Espadarte – Módulo III, na Bacia de Campos, voltando a deter controle integral das áreas. Os ativos haviam sido parcialmente vendidos em 2019, durante o governo anterior.
A aquisição será feita junto à petroleira estatal malaia Petronas, em uma transação avaliada em US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões). O pagamento será dividido em parcelas, incluindo um valor inicial na assinatura do contrato, montante principal no fechamento e duas parcelas adicionais previstas para até dois anos após a conclusão.
A operação foi viabilizada pelo exercício do direito de preferência, mecanismo que permitiu à Petrobras igualar a proposta apresentada por outra empresa interessada, garantindo prioridade na aquisição.
Os campos estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâminas d’água que variam entre 700 e 1.620 metros. Atualmente, a produção conjunta é de cerca de 55 mil barris de petróleo por dia, com operação realizada por meio de unidade flutuante já sob gestão da estatal.
Segundo a Petrobras, a recompra apresenta condições econômico-financeiras consideradas atrativas e amplia a flexibilidade na gestão de seu portfólio. A empresa afirma que a decisão está alinhada ao plano estratégico, com foco na geração de valor, disciplina de capital e mitigação de riscos.
A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento de պայմանções contratuais, incluindo aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O movimento representa uma mudança em relação à estratégia adotada em 2019, quando a companhia vendeu participação nesses ativos por US$ 1,29 bilhão. Na época, a decisão foi justificada como parte de um processo de otimização de portfólio e alocação de recursos.
A recompra ocorre em um cenário de alta nos preços internacionais do petróleo, com o barril do tipo Brent acima de US$ 100. A valorização é impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente após conflitos envolvendo o Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo e gás.
Esse contexto tem pressionado a oferta mundial e contribuído para a elevação dos preços, refletindo também no mercado interno. Recentemente, a Petrobras anunciou reajuste no preço do diesel, atribuindo a decisão ao cenário internacional, com impacto mitigado por medidas tributárias adotadas pelo governo.
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