Escala6x1 pode ser alvo de projeto urgente se debate não avançar

Ministro do Trabalho afirma que governo pode enviar proposta com urgência ao Congresso para acelerar mudanças na jornada semanal. Prioridade é reduzir carga horária para 40 horas.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta segunda-feira (3), em São Paulo, que o governo federal poderá encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência caso não avancem as discussões sobre mudanças na jornada semanal, incluindo o possível fim da escala6x1 e a redução da carga horária.

Pelo rito de urgência, Câmara dos Deputados e Senado teriam até 45 dias para analisar a proposta, sob risco de trancamento da pauta.

Segundo o ministro, há diálogo com as presidências das duas Casas para acelerar a tramitação tanto de propostas de emenda à Constituição quanto de projetos de lei já em andamento. Ele destacou que projetos de lei podem avançar mais rapidamente do que PECs, mas não descartou o envio de um novo texto com urgência, dependendo das conversas entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Uma das propostas em discussão amplia de um para dois dias o descanso semanal remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos, e reduz o limite máximo de trabalho de 44 para 36 horas semanais, sem considerar horas extras. Atualmente, a Constituição prevê jornada de até oito horas diárias e 44 horas semanais.

Marinho avaliou que é viável reduzir a jornada para 40 horas semanais, medida que, segundo ele, pode abrir caminho para o fim da escala 6×1, modelo considerado por ele como aspiração de milhões de trabalhadores, especialmente nos setores de comércio e serviços.

O ministro também afirmou que não há discussão no governo sobre concessão de incentivos fiscais às empresas como compensação pela eventual mudança. Para ele, a contrapartida deve ser o aumento da produtividade.

Marinho defendeu que investimentos em tecnologia, prevenção de acidentes e melhoria das condições de trabalho podem elevar a eficiência das empresas e contribuir para o crescimento econômico.

Caged

Durante a entrevista, o ministro apresentou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em janeiro, o país registrou saldo positivo de 112.334 postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos.

Apesar do desempenho positivo, o resultado foi inferior ao registrado em janeiro de 2024, quando houve saldo de 173.127 vagas. De acordo com Marinho, a desaceleração na criação de empregos está relacionada ao nível elevado da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano.

Quatro setores apresentaram saldo positivo no mês, com destaque para a indústria, que criou 54.991 vagas. A construção civil registrou 50.545 novos postos, seguida por serviços (40.525) e agropecuária (23.073). O comércio, por outro lado, teve saldo negativo de 56.800 vagas.

No acumulado de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026, o país soma 1.228.483 novos vínculos formais.

Salário médio

O levantamento também apontou que o salário médio real de admissão em janeiro foi de R$ 2.289,78, representando aumento de R$ 77,02 em comparação com dezembro do ano anterior.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.