Um levantamento preliminar identificou que pelo menos 142 municípios do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades no abastecimento de diesel, além de relatos de aumento abusivo nos preços. O estudo foi realizado pela Federação das Associações de Municípios do estado (Famurs) na última semana.
Diante da escassez, as prefeituras passaram a priorizar serviços essenciais, especialmente na área da saúde, como o transporte de pacientes. Outras atividades que dependem de maquinário, como obras públicas, foram suspensas. A entidade alerta que, caso a situação persista, outros setores sensíveis poderão ser impactados.
Segundo a presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira, há risco de prejuízos ao transporte escolar e ao deslocamento de pacientes para outras cidades.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que as entregas de diesel estão sendo normalizadas após medidas adotadas recentemente, incluindo ações regulatórias e leilão realizado pela Petrobras. A distribuição já alcança a região da Grande Porto Alegre, enquanto o interior do estado deve ser atendido ao longo da semana, conforme questões logísticas.
O órgão afirmou ainda que mantém monitoramento contínuo do mercado e diálogo com agentes do setor.
Municípios em emergência
Algumas cidades já adotaram medidas emergenciais. Em Formigueiro, a prefeitura decretou situação de emergência no dia 17 de março devido à crise no abastecimento e à alta expressiva dos preços. A administração municipal destacou impactos diretos no escoamento da safra agrícola, manutenção de estradas rurais e serviços essenciais.
Com o decreto, o município passou a ter autorização para realizar compras emergenciais de combustível e priorizar ações voltadas à recuperação de estradas e apoio à colheita.
Em Tupanciretã, a situação de emergência administrativa foi declarada em 19 de março, com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços públicos essenciais diante das dificuldades no fornecimento.
Fiscalização e preços
O cenário também inclui denúncias de aumento abusivo de preços e possível atuação de cartéis em postos de combustíveis. As ocorrências começaram a ser registradas após tensões internacionais no final de fevereiro.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, atua em parceria com Procons estaduais e municipais para fiscalizar irregularidades. Segundo balanço recente, mais de 1.100 postos foram inspecionados em 179 municípios de 25 estados.
As autoridades seguem acompanhando a situação para coibir práticas ilegais e garantir o abastecimento regular.
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