Diesel dispara nos postos e já chega a R$ 6,80: o que está por trás da alta e o que pode mudar

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis revela aumento expressivo em uma semana, enquanto governo tenta conter impacto no bolso do consumidor. Alta rápida acende alerta no mercado

O preço do diesel voltou a subir com força nos postos brasileiros e já atinge, em média, R$ 6,80 por litro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O salto foi significativo: em apenas uma semana, o combustível ficou 11,9% mais caro, saindo de R$ 6,08 para o novo patamar.

No mesmo período, o diesel S-10 acompanhou o movimento e passou de R$ 6,15 para R$ 6,89, avanço de 12%. A gasolina também subiu, ainda que de forma mais moderada, passando de R$ 6,30 para R$ 6,46.

Reajuste nas refinarias pressiona ainda mais

Parte dessa pressão vem do reajuste anunciado pela Petrobras, que elevou o preço do diesel nas refinarias em 11,6%, fazendo o litro chegar a R$ 3,65 — um acréscimo de R$ 0,38.

Apesar disso, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirma que o impacto ao consumidor final tende a ser menor, estimado em cerca de R$ 0,06 por litro, devido a medidas adotadas pelo governo federal.

Governo tenta frear impacto no bolso

Diante da escalada dos preços, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote com três medidas para conter os efeitos da alta.

Entre elas está a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, além da criação de mecanismos de fiscalização contra preços abusivos. Também foi instituída uma subvenção para produtores e importadores, condicionada ao repasse do benefício ao consumidor.

Segundo a Petrobras, o efeito combinado dessas ações pode representar um alívio equivalente a R$ 0,70 por litro, incluindo uma subvenção de R$ 0,32.

Cenário internacional pesa no preço

A alta dos combustíveis no Brasil não acontece isoladamente. O avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, tem pressionado os custos de produção e importação.

Antes mesmo do reajuste oficial, entidades como a Fecombustíveis já apontavam que distribuidoras vinham elevando os preços, refletindo custos maiores no refino e na importação.

Levantamento da ValeCard também indicou tendência de alta, com o diesel S-10 subindo 3,45% entre o fim de fevereiro e 11 de março.

Expectativa ainda é de incerteza

Mesmo com as medidas anunciadas, o mercado segue cauteloso. A combinação de fatores externos, como o preço do petróleo, e internos, como políticas de preços e logística, deve continuar influenciando o valor dos combustíveis nas próximas semanas, mantendo o consumidor atento a novos reajustes.

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