Conflito no Oriente Médio não deve impedir corte da Selic, afirma Haddad

Ministro da Fazenda avalia que escalada no Oriente Médio não altera, por ora, expectativa de redução dos juros no Brasil. Equipe econômica diz estar preparada para diferentes cenários.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a recente escalada do conflito no Oriente Médio não deve comprometer o início do ciclo de redução da Selic no Brasil. Segundo ele, apesar das incertezas no cenário internacional, ainda é cedo para falar em reversão da trajetória de cortes na taxa básica de juros.

Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic pode começar a ser reduzida na próxima reunião do colegiado, marcada para os dias 17 e 18 de março. Em ata divulgada após o último encontro, o Copom indicou que a diminuição dos juros está condicionada ao controle da inflação e à ausência de surpresas negativas no ambiente econômico. Mesmo com a redução, a taxa deverá permanecer em patamar restritivo.

Na avaliação de Haddad, conflitos armados tendem a afetar variáveis econômicas, especialmente as expectativas futuras, a depender da gravidade dos acontecimentos. Ainda assim, ele destacou que a equipe econômica trabalha com diferentes cenários, incluindo crises geopolíticas, eventos climáticos extremos, pandemias e disputas comerciais.

A atual tensão teve início no sábado (28), após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, o Irã realizou ofensivas contra bases norte-americanas na região e contra Israel. Nesta segunda-feira (2), o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, e ameaçou incendiar embarcações que tentarem atravessar a passagem.

Haddad afirmou que o Brasil possui condições de enfrentar os efeitos do conflito. Ele ressaltou que o país é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, conta com reservas internacionais, não possui dívida externa relevante e dispõe de matriz energética diversificada e limpa.

O ministro também relacionou o cenário geopolítico à disputa estratégica envolvendo a China. Segundo ele, o avanço econômico e militar chinês tem provocado reações por parte dos Estados Unidos. Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que a ofensiva contra o Irã teria como pano de fundo a tentativa de conter a expansão da influência chinesa, além de reforçar a posição de Israel no Oriente Médio.

A China mantém parceria estratégica com o Irã e é um dos principais compradores do petróleo iraniano. O governo chinês declarou estar extremamente preocupado com os ataques e defendeu a interrupção imediata das ações militares, além da retomada do diálogo diplomático para preservar a estabilidade regional.

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