BNDES propõe novo plano para fortalecer exportadoras brasileiras

Presidente do banco defende retomada do Plano Brasil Soberano com recursos já disponíveis para apoiar setores impactados por tarifas internacionais.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (17) a criação de uma nova versão do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas exportadoras afetadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos.

A proposta busca ampliar o suporte não apenas a exportadores, mas também a setores estratégicos e áreas com déficit na balança comercial, além de segmentos impactados por conflitos internacionais.

Lançado em agosto de 2025, o plano original ofereceu financiamento a empresas prejudicadas por tarifas que chegaram a 50% sobre produtos brasileiros. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado parte dessas medidas em fevereiro de 2026, novas tarifas globais de 15% foram adotadas posteriormente.

Segundo Mercadante, o problema persiste para setores específicos que continuam enfrentando taxas mais elevadas, como siderurgia, alumínio e cobre, com tarifas de até 50%, além da indústria automotiva e de autopeças, que sofre com taxas de 25%.

Recursos disponíveis

Durante a apresentação do balanço financeiro de 2025, o presidente do BNDES informou que o banco ainda dispõe de R$ 6 bilhões não utilizados do programa anterior. Ao todo, o plano financiou R$ 19,5 bilhões para 676 empresas.

De acordo com ele, a reutilização desses recursos não geraria impacto adicional ao orçamento público, mas depende de aprovação legal pelo Congresso Nacional, podendo ocorrer por meio de medida provisória.

Mercadante afirmou que há diálogo avançado com o governo federal sobre o tema, incluindo conversas com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além do Ministério da Fazenda.

Ele também destacou a importância de incluir setores estratégicos, como o de fertilizantes, diante do cenário internacional marcado por conflitos envolvendo grandes produtores globais.

“Precisamos ampliar a capacidade de resposta do país diante de um ambiente geopolítico instável”, afirmou.

Recuperação de empresa do setor energético

Mercadante também comentou a situação financeira da Raízen, empresa do setor de biocombustíveis que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas.

O BNDES informou que sua exposição está protegida por garantias e não será incluída na renegociação, mas destacou que participa das discussões para viabilizar a recuperação da companhia.

Segundo o presidente do banco, a empresa possui ativos relevantes e papel estratégico no setor energético, o que justifica o interesse em sua recuperação.

Debate sobre jornada de trabalho

O dirigente também foi questionado sobre eventual apoio a empresas diante de possíveis mudanças na legislação trabalhista, como o fim da escala 6×1.

Ele afirmou que o tema ainda está em análise e que o banco aguarda definições do governo antes de tomar qualquer decisão.

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