Um levantamento inédito do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) identificou que a cidade de São Paulo reúne 12.671 trabalhadores ambulantes distribuídos em 12.377 bancas de venda espalhadas pela capital paulista.
De acordo com o estudo, grande parte desses trabalhadores atua em condições precárias. Muitos exercem a atividade de forma informal, sem autorização da prefeitura, enfrentam jornadas extensas e recebem remuneração inferior à média dos demais trabalhadores da cidade.
O levantamento indica ainda que oito em cada dez ambulantes dependem exclusivamente da venda nas ruas para garantir renda. Mesmo diante das dificuldades, a maioria afirma que pretende continuar na atividade: 73% dos entrevistados disseram que não desejam mudar de profissão.
Entre os trabalhadores, 63% são homens e cerca de 40% têm entre 31 e 50 anos. A pesquisa também mostra diversidade racial: 53% se declaram pretos ou pardos, 34% brancos e 10% indígenas. Segundo os pesquisadores, a presença indígena está ligada principalmente a imigrantes de regiões do Altiplano sul-americano, como venezuelanos e peruanos.
Outro dado relevante é a presença de estrangeiros na atividade. Cerca de 31% dos ambulantes são imigrantes, provenientes de aproximadamente 30 nacionalidades diferentes, com predominância de países da América do Sul. Segundo os pesquisadores, esse grupo tende a enfrentar condições ainda mais vulneráveis.
Perfil do trabalho
O mapeamento revela que 76% dos ambulantes são proprietários das próprias bancas. Outros 15% trabalham como empregados sem carteira assinada e apenas 2% possuem registro formal. Há também cerca de 6% que atuam como familiares do dono do ponto de venda.
Em relação ao tempo de atuação, metade trabalha como ambulante há menos de cinco anos, enquanto 47,8% exercem a atividade há mais tempo. Dentro desse grupo, 15% permanecem no comércio de rua há mais de duas décadas. O dado indica que a atividade frequentemente se torna uma ocupação permanente.
Apesar disso, o direito de trabalhar em vias públicas ainda é limitado. Apenas 39% dos ambulantes afirmam possuir autorização da prefeitura para atuar no local onde trabalham. A maioria, cerca de 56%, atua sem permissão formal.
Entre os que não possuem licença, 80% demonstraram interesse em obter autorização, mas apontaram obstáculos como custos elevados, burocracia ou dificuldades relacionadas à oferta de pontos adequados.
Jornadas extensas e renda menor
O estudo também identificou jornadas de trabalho superiores à média da população ocupada da capital. Enquanto cerca de 74% dos trabalhadores da cidade atuam até o limite legal de 44 horas semanais, entre os ambulantes esse percentual é de 56,5%.
Por outro lado, 44% dos ambulantes ultrapassam as 44 horas semanais, e quase 30% desse grupo trabalham mais de 51 horas por semana.
Em relação à renda, a média mensal obtida pelos vendedores de rua é de aproximadamente R$ 3 mil. O valor corresponde a pouco mais da metade do rendimento médio dos trabalhadores da capital paulista, estimado em R$ 5.323,04.
Entre os produtos vendidos, roupas lideram com 55% das bancas. Em seguida aparecem alimentos preparados para consumo imediato (14%), eletrônicos (5,4%), bebidas (4,8%), alimentos industrializados (4,5%), publicações como livros e revistas (4,5%), bolsas e carteiras (4,4%) e itens variados, como bijuterias (4%).
A pesquisa foi realizada entre julho e agosto do ano passado em 70 áreas de grande concentração de ambulantes da capital paulista, incluindo regiões próximas a transportes públicos, unidades de saúde, parques e serviços públicos. Ao todo, 2.772 trabalhadores foram entrevistados, todos atuando em pontos fixos de venda.
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