O Brasil avançou na preservação ambiental com a criação de uma nova Unidade de Conservação (UC) no Cerrado de Minas Gerais e a ampliação de áreas protegidas no Pantanal, totalizando 148 mil hectares. As medidas visam reforçar a proteção de ecossistemas essenciais e comunidades tradicionais.
Em Minas Gerais, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas. No Mato Grosso, houve expansão do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) e da Estação Ecológica do Taiamã.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou as ações no domingo (22), durante a COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias em Campo Grande.
A gestão das UCs é realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
“A medida foi construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional consistente, reforçando a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal, que sustenta sua biodiversidade e regula ciclos ecológicos”, afirmou a ministra Marina Silva.
Segundo Marina Silva, a criação da nova UC no Cerrado alia conservação ambiental e justiça social, com participação direta das comunidades geraizeiras.
Estação Ecológica do Taiamã
Localizada em Cáceres, Mato Grosso, a 220 km de Cuiabá, a Estação Ecológica do Taiamã passa de 11,5 mil para 68,5 mil hectares. A área é composta principalmente por campos inundáveis e uma diversidade de ambientes aquáticos, como lagoas permanentes e temporárias, meandros e corixos.
O nome Taiamã vem da gaivota pescadora conhecida como Trinta-réis (Phaetusa simplex). A unidade garante a sobrevivência de peixes, aves e plantas, e em 2021 foi identificada uma população de onças que pesca peixes e jacarés.
A ampliação atende demandas de pesquisadores da Unemat, que destacaram a necessidade de mais espaço para a conservação da onça-pintada e das 131 espécies de peixes presentes.
Ernandes Sobreira ressaltou que a expansão contribui para sequestro de carbono, regulação climática e purificação da água, beneficiando a população.
Parque Nacional do Pantanal
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, em Poconé, Mato Grosso, passa de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. A área é formada por zonas de inundação de até oito meses e conecta-se à Área Natural de Manejo Integrado San Matias, na Bolívia.
Espécies ameaçadas, como Gato-maracajá, Tamanduá-bandeira, Onça-pintada e Ariranha, encontram proteção no parque.
Reserva de Desenvolvimento Sustentável no Cerrado
A nova reserva abrange 40,8 mil hectares nos municípios de Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas, a mais de 600 km de Belo Horizonte. O objetivo é proteger nascentes, áreas de extrativismo e comunidades tradicionais, como os geraizeiros.
“A criação da reserva reconhece a importância histórica das comunidades geraizeiras, protege seus territórios e fortalece um modo de vida equilibrado entre Cerrado e Caatinga”, afirmou Mauro Pires, presidente do ICMBio.
Segundo Pires, cada nova área protegida representa mais cuidado com florestas, rios, biodiversidade e maior capacidade de enfrentamento do aquecimento global.
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