O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro absolveu os policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, acusados de homicídio qualificado contra o adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, na Cidade de Deus, em agosto de 2023.
Os agentes, do Batalhão de Choque, também foram absolvidos da tentativa de homicídio de Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, que sobreviveu ao ataque com ferimento na mão. Marcos confirmou que Thiago não estava armado no momento do crime.
O julgamento, que durou dois dias, foi marcado por debates acalorados entre acusação e defesa. A maioria dos sete jurados decidiu pela absolvição dos policiais, que ainda respondem a outro processo por fraude processual.
Na sentença, o juiz Renan Ongaratto afirmou que, embora o Judiciário reconheça a dor da família da vítima, a decisão refletiu a “voz da sociedade”.
A Anistia Internacional manifestou indignação com o resultado e criticou a forma como Thiago foi tratado como criminoso em vez de vítima da letalidade policial.
Detalhes do crime
Thiago foi atingido por disparos de fuzil após cair de moto com Marcos Vinicius em uma via de acesso à comunidade. Os policiais dispararam de um carro particular, descaracterizado.
O adolescente foi atingido nas pernas e no tronco e não possuía antecedentes criminais. Boletins escolares registravam mais de 90% de frequência. Familiares e amigos realizaram manifestações em sua homenagem no Rio de Janeiro.
O Ministério Público destacou que os policiais agiram com torpeza em uma operação de tocaia ilegal com arma de alta potência. A defesa alegou que os jovens estariam ligados ao tráfico de drogas e teriam atirado contra os agentes.
Mesmo com indícios de que não houve confronto, a defesa manteve sua versão e apresentou uma pistola que supostamente pertenceria a Thiago. Testemunhas e perícia contestaram essa alegação, apontando inconsistências nos depoimentos dos policiais.
Depoimentos
Foram ouvidos Marcos Vinicius, a mãe de Thiago, vizinhos e o comandante da operação. A mãe descreveu o filho como “educado, carinhoso e responsável”, destacando sua dedicação à escola e às atividades de futebol.
O defensor público Pedro Cariello afirmou que os réus alteraram sua narrativa duas vezes, indicando mentiras e ausência de respaldo de normas da PM para a ação realizada em veículo particular.
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