PF realiza operação contra desembargador investigado após decisão polêmica em Minas Gerais

Polícia Federal cumpriu mandado de busca no gabinete de magistrado do TJMG, afastado pelo CNJ após repercussão de decisão judicial e novas denúncias.

Agentes da Polícia Federal realizaram buscas e apreenderam documentos e equipamentos no gabinete do desembargador Magid Nauef Láuar, na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte. A ação contou com o acompanhamento de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A diligência foi autorizada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, que também determinou o afastamento cautelar imediato do magistrado das funções exercidas na 9ª Câmara Criminal. Durante o período, ele será substituído por um juiz de primeiro grau e continuará recebendo remuneração integral, conforme resolução do CNJ.

Repercussão da decisão

No início do mês, o desembargador havia absolvido um homem de 35 anos condenado em primeira instância a nove anos e quatro meses de prisão por manter relacionamento e relações sexuais com uma adolescente de 12 anos, no Triângulo Mineiro. Na decisão, o magistrado entendeu que havia vínculo afetivo e convivência com anuência da família.

A interpretação gerou forte reação pública, pois a legislação brasileira classifica como estupro de vulnerável qualquer ato sexual com menores de 14 anos, independentemente de consentimento ou relacionamento.

Diante da repercussão, o Ministério Público recorreu. Posteriormente, o próprio desembargador reviu sua decisão, restabelecendo a condenação do acusado e da mãe da adolescente, que foram presos pela Polícia Militar.

Investigações e denúncias

O caso também motivou novas denúncias contra o magistrado. Pessoas que afirmam ter sido vítimas de assédio ou violência sexual em anos anteriores prestaram depoimento à Corregedoria Nacional de Justiça. Pelo menos cinco relatos foram colhidos na fase inicial da apuração.

Segundo o CNJ, parte dos fatos pode estar prescrita na esfera criminal, mas há indícios de ocorrências mais recentes, o que justifica a continuidade das investigações. Os episódios teriam ocorrido quando o magistrado atuou em comarcas do interior de Minas Gerais.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis infrações funcionais e afirmou que irá colaborar com as investigações. O desembargador não se manifestará sobre o caso neste momento.

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