O planejamento da nova safra em Mato Grosso exige atenção redobrada dos produtores rurais, especialmente diante das projeções de um El Niño de forte intensidade e da necessidade urgente de maximizar a eficiência no uso de insumos. Com a perspectiva de chuvas irregulares e temperaturas elevadas, a preparação do solo volta ao centro das discussões sobre produtividade e gestão de riscos no campo.
Entre as práticas fundamentais, a aplicação de calcário agrícola — a tradicional calagem — tem sido reavaliada pelo setor produtivo. Durante assembleia da Associação Brasileira dos Produtores de Calcário (Abracal), especialistas apontaram que a correção de solo ainda permanece abaixo do ideal em diversas regiões do país, incluindo o Centro-Oeste, muitas vezes devido à cautela dos agricultores frente aos custos operacionais.
Eficiência e aproveitamento de nutrientes
No entanto, especialistas alertam que a correção da acidez não deve ser tratada como um gasto isolado, mas sim como a base para garantir o retorno de todo o investimento tecnológico da lavoura.
Segundo o engenheiro agrônomo Carlos Pedro A Santos, especialista da Reical, insumos de alto valor agregados à safra exigem suporte físico e químico adequado no terreno.
“Fertilizantes, sementes, genética, defensivos e tecnologia são investimentos importantes por hectare, mas precisam de condições adequadas de solo para expressar seu potencial”, destaca o especialista, lembrando que em solos excessivamente ácidos a disponibilidade de nutrientes cai drasticamente.
Estratégia frente às incertezas do clima
Embora a calagem não elimine os riscos climáticos inerentes à agricultura a céu aberto, ela atua diretamente na construção de um perfil de solo mais profundo e estruturado, favorecendo o desenvolvimento do sistema radicular e o aproveitamento eficiente da água e dos nutrientes disponíveis.
“Em um cenário de maior irregularidade das chuvas, conhecer as condições do solo e corrigir suas limitações ganha ainda mais importância”, aponta Carlos Pedro.
Com o avanço da safra 2026/27 e o monitoramento constante do clima, a recomendação técnica para os agricultores mato-grossenses é adotar um manejo de fertilidade integrado, priorizando áreas com base em análises laboratoriais e recomendações agronômicas precisas.
“Mais do que responder às condições adversas depois que elas se manifestam, o manejo adequado busca preparar a lavoura para diferentes cenários, conciliando produtividade, eficiência dos investimentos por hectare e gestão de riscos”, conclui o engenheiro.
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