Os preços recebidos pelos produtores agropecuários registraram nova retração em fevereiro, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. O IPPA/CEPEA (Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários) apresentou queda nominal de 1,02% frente a janeiro, refletindo um cenário de desvalorização em praticamente todos os segmentos do campo.
O principal destaque negativo ficou com o grupo de hortifrutícolas, que recuou 9,08% no mês, seguido de perto pelo segmento de cana-de-açúcar e café, com queda de 8,87%. Os grãos também apresentaram desempenho negativo, com retração de 2,36%.
Pecuária avança e evita queda maior
Na contramão dos demais setores, a pecuária foi o único grupo a registrar valorização em fevereiro, com alta de 5,2%. O resultado amenizou uma queda ainda mais acentuada do índice geral, evidenciando a resiliência do segmento diante das oscilações de mercado.
No mesmo período, o IPA-OG-DI recuou 0,99%, indicando que os preços agropecuários tiveram comportamento semelhante ao dos produtos industriais.
Cenário externo e câmbio influenciam resultados
No mercado internacional, os preços dos alimentos em dólar avançaram 0,92%. No entanto, a desvalorização de 2,2% do real frente à moeda norte-americana acabou revertendo esse movimento, resultando em queda de 1,3% nos preços internacionais quando convertidos para reais.
Esse efeito cambial reforça o impacto das oscilações externas sobre o mercado interno, especialmente em um cenário de maior volatilidade global.
Acumulado do ano aponta perdas mais expressivas
Na comparação anual — considerando o primeiro bimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025 — o IPPA/CEPEA acumula queda de 9,78%, com retração em todos os grupos analisados.
Os hortifrutícolas lideram as perdas, com recuo de 16,99%, seguidos por cana-café (-15,28%), grãos (-9,22%) e pecuária (-6,80%). No mesmo intervalo, o IPA-OG-DI desacelerou 3,11%.
Já os preços internacionais dos alimentos acumulam queda de 17,16% em reais e de 7,49% em dólares, cenário que também reflete a desvalorização de 10,42% do real na comparação entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2025.
Pressão de custos e mercado seguem no radar
O comportamento dos preços reforça um momento de ajuste no setor agropecuário, com influência direta do câmbio e do mercado internacional. A tendência para os próximos meses deve seguir atrelada à dinâmica global e à recuperação — ou não — dos principais segmentos produtivos.
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